Nesta
caminhada de edificar uma “Empresa que pensa” existem algumas dimensões que já
foram ficando claras:
i) uma incubadora útil para o desenvolvimento de um melhor
pensamento organizativo está no ambiente relativamente controlado das reuniões
de trabalho;
ii) deve-se começar pelas reuniões cujas conclusões
provocam maior impacto no futuro da organização;
iii) é critico planear cuidadosamente estas reuniões, dando
particular atenção à forma como se constrói a agenda, à selecção dos participantes,
à estruturação do pensamento adequado dessas reuniões, procurando finalizá-las
com a avaliação dos resultados produzidos e evidenciando os benefícios alcançados;
iv) a importância de ficar
registada, num suporte adequado, a própria construção de pensamento articulada pela
equipa para produzir aquelas conclusões.
Um
dos grandes obstáculos à edificação de uma “Empresa que pensa”, tal como já
tivemos oportunidade de reflectir nos post de 6/12/12 e 13/12/12, poderá advir
da dimensão cultural, concretamente, do contexto cultural onde a Empresa se integra e da sua
própria cultura.
É
muito importante realizar um diagnóstico cuidado da empresa a este nível, tal
como sugerimos no post de 20/12/12, para identificar os principais problemas e
resistências que a empresa irá enfrentar ao iniciar este projecto de mudança.
Assim,
a planificação da implementação dessa mudança deve reflectir as acções
consideradas pertinentes para lidar eficazmente de forma preventiva com esses
problemas e resistências que provavelmente acabarão por emergir.
Frequentemente,
verificamos que o menosprezar desta área de preocupação prejudica a
implementação e os resultados a produzir de forma muito significativa…
Independentemente
do diagnóstico que realizou e das medidas que está a ponderar, existem alguns
aspectos que importa muito ter presente para garantir que as dimensões acima
referidas possam atingir os objectivos pretendidos.
Criar o recipiente
É
muito importante garantir que se cria o recipiente, o espaço adequado em termos
físicos, mentais e emocionais para a realização destas reuniões que se
pretende rompam com uma certa forma de pensar na organização.
Convém
ter presente que no cerne de qualquer reunião está sempre uma conversa entre
pessoas. A capacidade das pessoas conversarem de forma aberta e fluída é essencial
se os pensamentos destes precisam de ser combinados e alavancados de forma
eficaz.
Uma
pesquisa realizada por Marcial Losada e Heaphy Emily (The Role of Positivity
and Connectivity in the Performance of Business Teams: A Nonlinear Dynamics
Model) mostra que as equipas de alto desempenho reúnem-se e conversam de forma
diferente. Estas equipas, que estão associadas a níveis superiores de rentabilidade,
maior satisfação do cliente e uma mais elevada avaliação dos próprios colegas, são
constituídas por membros que desenvolveram competências observáveis de diálogo entre
si. Especificamente, três comportamentos foram observados:
1. Estes
membros, no contexto dessas reuniões, faziam perguntas tão frequentemente
quanto afirmavam as suas próprias convicções e opiniões (ou seja, verificava-se
uma relação de 1:1 entre advocacia e averiguação).
2.
Eles demonstravam tanto interesse nos outros como em si mesmos (verificava-se uma
relação de 1:1 entre concentrar-se em si e nos outros).
3.
Eles faziam mais comentários positivos do que negativos, desta forma, o
entusiasmo e o encorajamento superavam em muito a crítica e o cinismo (verificava-se
uma relação de 3:1 entre comentários positivos e negativos).
Sarah
Rozenthuler no seu livro “Life-changing Conversations” descreve a importância
de criar um "recipiente" se se quiser melhorar a qualidade das conversas
num determinado contexto.
No
seu ponto de vista, o recipiente deve ser pensado como tendo duas dimensões. Em
primeiro lugar este deve ser entretecido de um conjunto de regras comportamentais
que encorajam o pensamento aberto, compartilhado e são acordados por todos os
participantes da reunião. Se cuidadosamente e honestamente respeitadas, estas
regras podem promover o equilíbrio entre defesa e averiguação, uma concentração
adequadamente balanceada entre si mesmo e os outros e a manutenção de um
diálogo positivo em desfavor de comentários negativos
A
segunda dimensão do recipiente é física.
Tal
como referimos anteriormente, no post de 29/11/12, Daniel Kahneman explicita
que o nosso Sistema associativo de pensamento (“Sistema I”) está sujeito a influências
que permanecem não identificadas pelo radar das nossas mentes conscientes, no
entanto, irão reflectir-se nas conclusões que formulamos.
Assim,
podemos compreender que o ambiente no qual ocorre a conversa tem influência sobre
a qualidade do pensamento.
Algumas
questões urge assim colocar: Será "neutro" o ambiente para todos os
membros da equipa? Qual é a sua memória/experiência do ambiente escolhido? Foram
removidos da sala todos os elementos que possam prejudicar a qualidade do
pensamento? Etc.
Nas
reuniões onde predominem questões estratégicas e de inovação é muitas vezes
recomendável procurar um ambiente fora do contexto organizativo, onde os
participantes possam aparecer de traje informal, de forma a romper com um certo
condicionamento mental e possibilitar a criação de um recipiente mais adequado aos
pensamentos de estratégia e inovação.
Na realidade, todos já participamos de reuniões em que claramente a ausência de um recipiente adequado prejudicou os resultados produzidos e o próprio ritmo de desenvolvimento dos trabalhos. Se calhar está numa boa altura para cuidarmos também desta dimensão para podermos criar uma organização que sabe conversar, condição necessária mas não suficiente para fundar uma "Empresa que pensa".
Nota: Este documento foi elaborado utilizando excertos e algumas das reflexões de “What makes a thinking organisation?” de Sam Bodley-Scott
Nota: Este documento foi elaborado utilizando excertos e algumas das reflexões de “What makes a thinking organisation?” de Sam Bodley-Scott

Sem comentários:
Enviar um comentário