Continuamos a revisitar os dez pecados mortais que uma organização pode cometer que comprometem a Estratégia Global e eventualmente poderão levar à extinção da organização, propostos, em 2004, por Michel Robert.
Pecado Nº 2 – Formular a estratégia em isolamento
Outra razão para o fracasso na execução de uma estratégia é ela ter sido desenvolvida apenas pelo CEO.
Trata-se, aliás, de uma tendência natural, uma vez que a principal função do CEO é a estratégica. Além disso, grande parte dos trabalhadores não está habituado a pensar estrategicamente, daí a tendência de tradicionalmente não estarem incluídos neste processo.
Se é verdade que muitos CEO’s têm uma estratégia, também é verdade que as pessoas-chave da organização não são geralmente envolvidas na sua clarificação, pelo que não a assumem como sua.
Nestas situações, os colaboradores, em regra, desconhecem os fundamentos da estratégia, pelo que acabam por ocupar mais tempo a questioná-la e a perceber qual é o seu papel dentro dela, do que propriamente a executá-la. Nestas circunstâncias, o CEO impacienta-se com os colaboradores, dado que eles colocam em causa a sua estratégia e, simultaneamente, revela-se incapaz de compreender por que tardam a executar aquela que - do seu ponto de vista - é uma estratégia simples.
Alguns CEO’s têm o cuidado de envolver um ou dois colaboradores, na definição da estratégia da empresa; não sendo de todo suficiente, já é melhor que esboçá-la sozinho.
Na verdade, toda a equipa de gestão tem que estar implicada na formulação estratégica, quer com o intuito de a compreender, quer com o de a implementar/executar correctamente. E isto não se resume a uma reunião para discutir a estratégia com a equipa; exige uma metodologia de condução do debate que o mantenha num plano “estratégico”, e não meramente operacional.
Este é aliás o propósito do Processo de Liderança Estratégica.
De facto, a forma mais eficaz de criar uma estratégia, que faz sentido não só no plano teórico, mas também no terreno, onde tem dado provas inequívocas, é pelo envolvimento da equipa de gestão nas decisões estratégicas mais básicas.
Como disse John Davis, Chefe Executivo:
“Penso que, muitas das vezes, as estratégias são feitas no vácuo. Simplesmente, dá-se à equipa de gestão uma cópia do plano e pede-se-lhes que a executem. Tenho muitas dúvidas que as pessoas “alinhem” nesse tipo de plano. Pelo contrário, com os espaços para debate promovidos por uma abordagem processual, o trabalho é feito muito mais rapidamente porque todos acabam por compreender porque é que algumas questões são críticas”
Lição Nº2 – As pessoas não implementam/executam aquilo que não compreendem.



