Hoje comecemos por recordar algumas ideias que já deixamos aqui há algum tempo:
"A importância de uma liderança estratégica honesta nunca foi tão crítica como na actualidade. Na verdade, esta deve ser o elemento fundamental, orientador e mobilizador da mudança ao longo da organização.
Hoje, mais do que nunca, as empresas que não possuam uma liderança estratégia coerente - fundada numa estratégia realista, formulada com base num raciocínio estratégico sincero, rigorosamente implementada, monitorizada e revista -, encontram-se numa situação de grande vulnerabilidade."
Importa, no entanto, clarificar bem, numa área onde os conceitos são tão importantes, o que é que entendemos por liderança estratégica.
Para nós, a liderança estratégica é a capacidade de mobilizar continuadamente um conjunto de indivíduos e de recursos, para realizar um intento diferenciado, construindo de forma efectiva e deliberada, ao longo do tempo, um posicionamento claramente distintivo, percebido por todos como uma vantagem/supremacia.
A história deu-nos vários líderes estratégicos, que naturalmente evidenciaram esta capacidade. No entanto, numa organização importa construir liderança. Ora, isto implica transcender o líder e ser capaz de desenvolver um competência organizativa fundamental, por outras palavras, codificar o “critical thiking” que utilizam e/ou utilizaram estes líderes, ou seja, o processo de raciocínio sobre o qual efectivaram essa liderança estratégica, em vez de determo-nos longamente sobre os detalhes históricos da sua vida.
A experiência evidencia-nos que organizações que produziram resultados consistentes e coerentes, onde reconhecemos os princípios em que se fundam a Liderança Estratégica, geralmente revelam um conjunto de metodologias, suportadas por uma disciplina de aplicação, por outras palavras, lidam com toda a problemática estratégica através de um processo.
No post de 27/6/2013, intitulado "A LIDERANÇA E A ESTRATÉGIA SÃO INSEPARÁVEIS", fazemos referência à reflexão de Cynthia A. Montgomery, professora de Business Administration na Harvard Business Scholl, no seu livro “The Strategist”. Nesse livro, professa claramente que a estratégia deve ser tratada como por um processo, pois: "a estratégia não é nem um destino nem uma solução. Não é um problema a ser resolvido e fixado. É uma viagem. Requer liderança contínua, não intermitente."
Não obstante, a maior parte dos Chefes Executivos com que nos cruzamos não percebe a extrema importância da Liderança Estratégica ser abordada processualmente.
Na prática, mantém-na informal, prejudicando de forma profunda a organização, por:
- não ter sido clarificado um léxico e uma linguagem que facilite o consenso e suporte o processo de formulação de decisão da organização;
- não estar apreendido o propósito da organização pelos seus profissionais;
- não terem sido articuladas e interiorizadas as suas consequências, bem como, delegadas as responsabilidades por lidar/superar essas consequências;
- não estarem estabelecidos, de forma coerente, os objectivos estratégicos da organização e deliberadamente prosseguidos pela organização;
- não serem continuamente medidos os seus resultados e revista a própria Estratégia em função dos últimos acontecimentos.
Quando assim ocorre, perde-se toda a noção de viagem, subjacente à ideia de uma continua construção estratégia, desvanece-se a liderança... No final, sobram chefes.
