quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

FUNDAR UMA EMPRESA QUE PENSA (VII) - Definir os processos de pensamento crítico


Para quem veio percorrendo este caminho connosco, de erguer uma “Empresa que Pensa”, esperamos que se tenha tornado claro:
i) a importância de nidificar esta nova forma de trabalhar/pensar no ambiente relativamente controlado das reuniões de trabalho que mais importam;
ii) o carácter critico da utilização de processos de pensamento estruturado, adequados à natureza da preocupação em causa, que discipline o pensamento colectivo levando à produção de soluções consensuais;
iii) a relevância de registar esse mesmo processo de reflexão;
iv) o cuidado a ter no desenvolvimento das dimensões culturais criticas que possibilitam a realização de reunião eficazes e eficientes, designadamente: o espaço adequado em termos físicos, mentais e emocionais das reuniões de trabalho – cuidar do recipiente; alimentar competências nos participantes para que consigam “dialogar com respeito”; ter particular atenção na busca contínua do diálogo eficiente, no interior dessas reuniões.

À medida que for implementado as dimensões referidas, a primeira ideia que lhe vai ocorrer é que os referidos processos de pensamento, utilizados nas reuniões, são poderosas ferramentas capazes de melhorar a qualidade do pensamento colectivo da sua organização. E, na verdade, são.

Com a prática, a utilização desses processos racionais irá tornar-se intuitiva e irá transformar a qualidade de pensamento, em primeiro lugar das reuniões de trabalho da organização e, em seguida, de forma mais ampla, dos próprios elementos que nelas participam. A certa altura, irá perceber pela fluidez dessas reuniões e pela forma como os seus colaboradores lhe apresentam e fundamentam as soluções que preconizam, que se estão a tornar visíveis sinais de uma “Empresa que pensa”. São perceptíveis os resultados desta construção.

Na sua essência, uma “Empresa que pensa” é aquela em que, individual e colectivamente, os dois Sistemas de pensamento (o Sistema I, instantâneo e associativo, e o Sistema II, racional e esforçado) estão equilibrados e alavancados pela capacidade de estabelecer diálogos estruturados de elevada qualidade e eficiência.
Nestas circunstâncias, as pessoas estão particularmente vigilantes aos impulsos mais instintivos e automáticos do Sistema de pensamento I.
Sejam quais for os recursos que os seus concorrentes disponham, os únicos factores que irão permitir que as deliberações destes sejam mais significativas e decisivas do que as da sua equipa de gestão serão a velocidade e a eficácia na resolução de problemas e na tomada de decisões.
Desta forma, percebemos que o teatro da “guerra” competitiva são estas reuniões críticas, que tem servido como espaço de nidificação de uma nova forma de pensar, e o arsenal de armas mais poderoso reside na capacidade de pensar da organização.

Definir os processos de pensamento críticos da organização

No entanto, para vencermos esta “guerra” competitiva precisamos de levar estar reuniões a um outro nível.
Existem preocupações na organização que pela sua complexidade (e implicações que delas decorrem) precisam de ser trabalhadas numa estrutura de pensamento mais complexa e vasta, que implica a realização de múltiplas reuniões articuladas, em que se utiliza de forma estruturada, em momentos diferentes, padrões de pensamento distintos que convergem de forma disciplinada para a produção de resultados concretos e críticos para a organização.

São os processos de pensamento crítico para: formular, implementar e executar uma estratégia organizativa (Processo de Liderança Estratégica); inovar continuamente produtos, clientes e mercados (Processo de Inovação Estratégica); melhorar continuamente os processos operativos (Processo de Melhoria Continua); etc.

Ao longo dos anos, com a complexificação das organizações e o crescimento exponencial da informação, as empresas precisarão cada vez mais de dominar estes processos de pensamento, sem os quais irão reduzir a sua capacidade de competir ao prejudicar “a velocidade e a eficácia na resolução de problemas e na tomada de decisões” da sua equipa de gestão.
Simultaneamente, pelas mesmas razões, tendem a emergir novas necessidades de codificação de processos de pensamento adequados, para permitir lidar de forma mais efectiva com algumas preocupações críticas da organização, como são: a monitorização e o estabelecimento de acções sobre concorrentes; a monitorização do desenvolvimento tecnológico e o estabelecimento de acções pertinentes (em empresas tecnológicas); etc.

Recentemente, fomos convidados por uma Associação a apoiar na concepção de um projecto candidato ao SIAC – Sistema de Apoio a Acções Colectivas, no âmbito do Compete. O Aviso para Apresentação de Candidaturas, no ponto de definição de “Objectivos e Prioridades”, referia a determinada altura: “O conhecimento é um activo determinante e estratégico no processo técnico e competitivo das empresas e imprescindível no processo de inovação. Ora, existindo uma debilidade repetidamente diagnosticada nas empresas acerca do processo de apropriação do conhecimento e da capacidade de integração desse conhecimento…”

Uma efectiva apropriação e a integração do conhecimento é um resultado tangível de uma “Empresa que Pensa”, onde já se percebem os efeitos de estarem definidos e implementados processos de pensamento crítico, como o Processo de Liderança Estratégica, o da Inovação Estratégica e o da Melhoria Continua.
A existência de uma habilidade de pensar conjuntamente, enquanto equipa de gestão, alavancada por aqueles Processos de Pensamento, capacitam-na a avaliar, de forma eficaz e eficiente, a pertinência da informação, as potencialidades e riscos dela decorrentes, nas diversas dimensões organizativas, e a estabelecer as acções estratégicas, de inovação ou melhoria continua que se revelarem adequadas.

Esta fase de definição dos processos de pensamento crítico da organização é extremamente importante, pois só desta forma se garante:
. uma efectiva coerência e consistência do pensamento organizativo nos seus mais diversos níveis e contextos;
. uma cultura marcada pela pró-actividade, em que o seu desígnio estratégico e o seu ímpeto de inovação/renovação premeia o diálogo e a forma como se pensa na organização;
. um organização liderada estrategicamente, por outras palavras, onde as pessoas se sentem mobilizadas/entusiasmadas a realizar um intento diferenciado, construindo de forma efectiva e deliberada um posicionamento claramente distintivo;
. uma cuidada articulação das diferentes forma de pensamento que precisam de ser integradas numa organização (ver post 1/11/2012): o estratégico; o de gestão racional; o de implementação; o inovador: o intuitivo.

Recordemos algo que já dissemos antes: “Hoje a maior parte das chefias executivas continua paradigmaticamente a responder a uma realidade nova com uma estrutura de pensamento de um outro tempo, assente essencialmente, no pensamento de gestão racional e de implementação, ou seja, as formas de pensamento mais profundamente ligadas com a actividade operacional.

O problema é que a informação agora é muito mais vasta, complexa e dispersa; implica muitas vezes um conhecimento técnico especializado para poder perceber melhor as suas implicações; as decisões têm de ser tomadas muito mais rapidamente. E têm de ser tomadas na consciência de que tudo pode mudar durante a noite.

Num ambiente com estas características, a capacidade de reflectir sobre as possibilidades, ver padrões e conexões que os outros não vêem, e olhar para os mesmos dados em novas e diferentes perspectivas representa uma formidável vantagem competitiva.

Mas esta vantagem só se torna efectiva, se ela for trabalhada como uma competência organizativa e não uma habilidade individual de um chefe executivo. Na verdade, o ritmo de mudança a que estamos sujeitos implica uma resposta enquanto equipa, porque já não é possível, nem desejável, integrar estas diferentes dimensões de pensamento de forma efectiva numa única pessoa.”

Precisamos de uma Empresa/Equipa que pensa, ou seja, suportada por todas as dimensões que fomos referindo ao longo desta nossa reflexão, em que os processos de pensamento critico, saibam integrar aquelas diferentes dimensões de pensamento para decidir, implementar e executar, como equipa, ou seja, de forma consensual, as decisões críticas da organização que estruturam o seu futuro.

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