Encerramos
o nosso último post com a seguinte ideia: criar uma organização que sabe
conversar/dialogar é condição necessária, mas não suficiente, para fundar uma
“Empresa que pensa”.
Na
altura tínhamos enfatizado a importância de garantir a criação de um
recipiente, o espaço adequado em termos físicos, mentais e emocionais para a
realização destas reuniões, que se pretendem rompam com uma certa forma de
pensar na organização, bem como, alguns dos cuidados a ter presente para esse
efeito.
Ao
longo deste articulado de textos que procura propor a fundação de uma “Empresa
que pensa” percebemos que a “incubadora útil para o desenvolvimento de um
melhor pensamento organizativo está no ambiente relativamente controlado das
reuniões de trabalho”.
A
eficácia desta incubadora depende, como vimos, da necessidade de cuidar do
recipiente, bem como, procurar promover e desenvolver a qualidade do diálogo
estabelecido.
Dialogar com respeito
Como
já vimos, precisamos de garantir uma fusão harmoniosa e proveitosa de todos os
participantes, para que o debate orientado metodologicamente permita estruturar
uma reflexão consensual, que possibilite chegar às conclusões que importam,
reflectem o nosso melhor conhecimento interdisciplinar e são da propriedade das
pessoas que as têm que implementar.
Para
esse efeito, torna-se importante desenvolver a consciência de como as pessoas
comunicam e pensam. É muito constrangedor observar, em muitas e muitas reuniões, a dificuldade em comunicar que muitos profissionais evidenciam, simplesmente
porque, em primeiro lugar, não desenvolvem competências de escuta activa
(atropelando muitas vezes a reflexão do seu interlocutor) e em, segundo lugar, porque pressupõem de forma etnocêntrica que toda a gente pensa e comunica
como eles.
Nestas
circunstâncias, o diálogo torna-se complicado, lento e muitas vezes cansativo,
sem produzir os melhores resultados possíveis, embora o facto de existir uma
estrutura de pensamento que disciplina os contributos mitigue muito este
problema.
O
exemplo do líder, a este nível, é absolutamente crítico para gerar uma mudança
de comportamentos. Um líder que não sabe escutar e nem se esforça por o fazer
bem, terá muitas dificuldades em construir uma equipa onde a escuta seja uma
competência perceptível.
Tem-se
revelado, em algumas circunstâncias, muito útil levar os participantes destas
reuniões à compreensão de que existem diversos tipos de personalidade, que
implicam formas de pensar, comunicar e comportar-se distintas.
Existem
algumas abordagens distintas para a tipificação de personalidade, uma das mais
conhecidas e utilizadas mundialmente será provavelmente a de Myers-Briggs (Myers-Briggs Type Indicator – MBTI),
que nos ajuda a proporcionar um melhor entendimento sobre as diferentes formas
de pensar e comportar-se.
Desta
forma, aquilo que nos parece um comportamento estranho e quase aleatório é, na
realidade, realmente muito ordenado e consistente face ao tipo de pessoa em
causa: se se preferem concentrar no mundo exterior, ou no seu próprio mundo
interior (extroversão versus introversão); se se preferem concentrar na
informação básica fornecida ou adicionar interpretação e significado (sensorial
versus intuição), etc.
Ao
investir na compreensão e na utilização activa do conhecimento dos diferentes
estilos de comunicação e pensamento estamos a possibilitar, num primeiro plano,
que cada um dos participantes se possa conhecer melhor a si próprio,
contribuindo para o seu auto-conhecimento e desenvolvimento, mas, mais do que
isso, estaremos a permitir que, a partir da compreensão do seu estilo de
pensamento e comunicação e do dos outros, possa melhorar a capacidade de
modelar a sua comunicação para que esta se ajuste à forma de emissão e apropriação
da informação dos seus interlocutores.
Esta
capacidade de "Dialogar com respeito" vai ajudar a refinar a
qualidade de pensamento da organização, melhorando os contributos efectuados e
os resultados produzidos.
Como,
por exemplo, e utilizando a tipificação do MBTI,
os extrovertidos tornar-se-ão capazes
de resistir ao desejo de bombear informação sem ter o cuidado de a filtrar e
adequar ao interlocutor; os sensoriais podem perceber que, às vezes, têm que lidar com o abstracto;
os sentimentais vão entender que o
primeiro porto de escala para os racionalistas
sempre é a lógica; os perceptores vão
entender que às vezes ser cuidadoso e algo reservado será necessário.
Muitas vezes, quando acabo de redigir estes posts, como hoje, interrogo-me como poderá esta informação tocar profissionais que estão absorvidos pela urgência do dia-a-dia, entre tantas solicitações.
Pois bem, quantas dessas solicitações resultam de um deficiente comunicação entre pessoas? Ou de dificuldades de relacionamento interpessoal? Ou de uma clara dificuldade em colocar as pessoas a remar para o mesmo lado e ao mesmo ritmo?
Como seria a sua qualidade de vida e o seu desempenho profissional se não tivesse estas preocupações?
Quanto custa à organização a fraca qualidade de diálogo existente? Quanto?

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