quinta-feira, 14 de março de 2013

THE 10 SKILLS THAT WILL GET YOU HIRED IN 2013




A FORBES, no final do ano passado, publicou um interessante artigo denominado de “The 10 Skills That Will Get You Hired In 2013”. Sem querer maçá-lo com a lista exaustiva dessas aptidões (que poderá consultar neste link: Forbes) refiro apenas as primeiras quatro:

1º lugar: Critical Thinking (requisito procurado em 90% dos profissionais mais recrutados)

Segundo a Forbes, trata-se da habilidade de “fazer uso da lógica e da razão para identificar os pontos fortes e fracos de soluções alternativas para a resolução de problemas”.

2º lugar: Resolução de Problemas Complexos (requisito procurado em 90% dos profissionais mais recrutados)

Segundo a Forbes, trata-se da habilidade de “identificar problemas complexos, revendo a informação relacionada, para desenvolver e avaliar opções e implementar soluções”.

3º lugar: Avaliação e Formulação de Decisão (requisito procurado em 90% dos profissionais mais recrutados)

Segundo a Forbes, trata-se da habilidade de “ponderar os custos e benefícios de acções alternativas possíveis para escolher a mais adequada.”

4º lugar: Escuta Activa (requisito procurado em 90% dos profissionais mais recrutados)

Segundo a Forbes, trata-se da habilidade de “prestar total atenção ao que o outro está a dizer, dando-se tempo para entender o seu ponto de vista, fazendo perguntas de forma apropriada e sem interromper o interlocutor.”

Num sentido mais lato, as três primeiras habilidades procuradas encontram-se no interior da área do Critical Thinking, ou seja, na habilidade de utilizar, de forma efectiva, um processo de pensamento coerente e racional que recolhe, trata e analisa a informação de maneira a: permitir definir prioridades; resolver problemas; formular e articular decisões, bem como, a forma mais adequada de as implementar; explorar oportunidades.

Para quem connosco percorreu a reflexão sobre a “Empresa que pensa”, percebe que as organizações Norte Americanas estão a procurar profissionais que as ajudem a melhorar o diálogo organizativo e apresentem competências reflexivas individuais críticas. No entanto, estas competências não são apenas importantes na selecção de novos colaboradores, mas como vimos, precisam de se tornar competências organizativas, suportadas por processos de pensamento crítico da organização, incorporando a cultura desta, de forma a tornarem-se factores essenciais para a realização da estratégia e dos objectivos dela decorrentes.

E em Portugal quais são as competências/habilidades mais procuradas?
Que reflexão podemos fazer, com base nisso, sobre as nossas organizações e as suas lideranças?
Que organizações estamos a construir?
Que futuro?

quinta-feira, 7 de março de 2013

A EMPRESA QUE PENSA - Um epílogo


Ao longo dos últimos meses, nos últimos 14 post, fomos desvendando os problemas que as organizações e os gestores revelam na forma como pensam e os seus efeitos na organização, para, por fim, articular um conjunto de dimensões que importa trabalhar para edificar uma “Empresa que pensa”.

A nós parece-nos que este caminho, que fomos percorrendo juntos, não se completaria sem que pudéssemos tornar tangíveis os seus resultados concretos para a organização.
Pensamos em elencar um conjunto de testemunhos reais que os expressassem, mas perder-se-ia a capacidade de compreender de forma integrada o funcionamento de uma “Empresa que pensa” e simultaneamente tornar-se-ia bastante pesado e fastidioso.

Propusemo-nos fazê-lo de uma forma diferente, mas para a qual precisamos da sua imaginação. João escreveu-lhe uma carta para lhe falar um pouco sobre o que tem sido trabalhar numa “Empresa que pensa”. Dê-lhe algum do seu tempo para a ler:

Caro(a) leitor(a),

Quando me pediram para lhe escrever esta carta, não sabia muito bem por onde começar, mas pareceu-me que a descrição mais ou menos cronológica dos acontecimentos seria a melhor maneira de o levar a perceber o caminho que percorremos.

Mas antes de tudo, permita-me que me apresente. O meu nome é João.
A minha actividade nesta empresa é um dos resultados mais palpáveis da escolha que o meu CEO fez há cerca de 6 anos atrás.

Nessa altura, o Pedro (meu CEO) apercebeu-se que a nossa empresa tinha de mudar. O nosso sector estava a dar sinais de que iria experimentar uma mudança muito profunda e que as alterações tecnológicas em curso iam acelerar o ritmo de mudança da envolvente competitiva.

Precisávamos de introduzir uma capacidade de antecipar, compreender e articular as consequências dessa mudança, de forma a continuamente explorarmos as oportunidades emergentes e prepararmo-nos para as ameaças dela decorrentes.

Para esse efeito, o Pedro percebeu que precisava de levar a equipa de gestão a um outro patamar, tínhamos que aumentar a capacidade de delegação, encurtar o processo de decisão e implementação, fazer com que essas decisões integrassem o máximo conhecimento e levá-los a compreender as implicações estratégicas das decisões que estavam a tomar.

Nessa altura, compreendeu, felizmente para nós, que não seria muito útil dar formação intensiva a esses profissionais (como dar-lhes um MBA), mas antes pelo contrário procurava uma abordagem metodológica que o ajudasse a que essa equipa consensualmente clarificasse, implementasse e executasse uma estratégia global. Esta solução iria capacitá-los a decidir coerentemente e consistentemente ao longo de toda a organização, tornando-os implementadores e executantes de uma estratégia que era da propriedade deles e que eles compreendiam profundamente.

Foi assim que começou a nossa caminhada para edificarmos uma “Empresa que Pensa”. Na verdade, queríamos resolver um problema concreto, mas acabamos por enveredar por um caminho que felizmente nos levou muito mais longe do que esperávamos. Creio que aliás muitas das organizações que internacionalmente conheço, que de alguma forma revelam os princípios de uma “Empresa que pensa”, seguiram um caminho similar ao nosso.

O Processo Liderança Estratégico obrigou-nos a confrontar com o nosso contexto competitivo e forçou-nos enquanto equipa a compreender a vasta mudança que teríamos de enfrentar. Formulamos uma estratégia ao fim de três dias de trabalho em sala. Foi um trabalho duro e cansativo, mas, no final, cada uma daquelas palavras, que articulavam a nossa lógica estratégica, diziam-nos muito, porque resultavam da construção que fizemos conjuntamente e consensualmente a par e passo. Eram nossas e nós compreendíamos a extensão do seu significado. Era a nossa estratégia.

Mas essa estratégia teve de ser transposta para objectivos estratégicos e, naturalmente, tivemos de tirar consequências da mudança que tínhamos de imprimir na empresa para sermos capaz de realizar essa estratégia. Na verdade, registamos quase 45 acções (a que chamamos Assuntos Críticos) que tinham de ser desenvolvidas na organização para materializar a mudança necessária. Era uma vasta agenda de mudança que percebíamos precisava de ser realizada com um enorme sentido de urgência.

Mas, se até aqui o trabalho do consultor/facilitador tinha tornado bastante fluído e entusiasmante o trabalho, rapidamente apercebemo-nos que os Assuntos Críticos e os Objectivos Estratégicos iriam precisar de muito trabalho de equipa, ou seja, muitas reuniões, para garantir que estávamos a integrar o conhecimento necessário da organização para a produção daqueles resultados críticos para a realização da estratégia.

O Pedro estava preocupado. Há muito que não o satisfazia a produtividade das reuniões na empresa. Existia um gritante risco da agenda de mudança atolar num número infindável de reuniões improdutivas. Tinha de ser feito algo.
Havia dois caminhos, ou chamava toda a agenda de mudança a si e assumia-a com base no seu conhecimento da empresa e de alguns dos elementos que lhe eram mais próximos, ou, por oposição, impunha-se como objectivo melhorar a capacidade da empresa dialogar e articular as suas próprias conclusões. Esta segunda alternativa era a única que lhe parecia aceitável e que era coerente com as necessidades da empresa. Por isso mesmo, não hesitou.

Na verdade, a equipa de gestão da empresa tinha conseguido em três dias tomar a decisão mais complexa que existe numa organização, produzindo um output que de certa forma o tinha surpreendido pela sua qualidade.
No seu ponto de vista, acreditava que a causa do problema residia numa ausência de abordagem metodológica que optimizasse o trabalho em equipa. Procurou ajuda e confirmou que a sua suposição estava certa, mas simultaneamente percebeu que, só por si, essa abordagem metodológica poderia não produzir os resultados pretendidos.
Assim, com a ajuda de um consultor/facilitador, estabeleceu um vasto plano de trabalho que iria implementar essa abordagem metodológica (o Processo Gestão Racional), procurando erradicar simultaneamente as dimensões culturais que poderiam prejudicar a sua implementação e garantindo as aptidões individuais e colectivas criticas para um diálogo eficaz no interior da organização.

Para não deixar dúvidas da importância que dava a esta temática: i) envolveu-se, ele próprio, nas primeiras reuniões de forma a assimilar as ferramentas metodológicas do Processo Gestão Racional; ii) estabeleceu um sistema de monitorização da eficácia e eficiência das reuniões na organização; iii) aleatoriamente analisava os mapas de trabalho produzidos nessas reuniões, procurando perceber da qualidade do trabalho que se estava a produzir; iv) reviu a metodologia de avaliação individual dos seus colaboradores chave para garantir que estava a sinalizar a produção dos comportamentos que considerava críticos.

O Pedro sempre foi, para mim, um óptimo visionário. Mas nesta altura, ele compreendeu, como ninguém, o que verdadeiramente estava em jogo. Criar uma equipa que soubesse trabalhar verdadeiramente como equipa de forma eficaz (coerentemente com a estratégia global traçada) e eficiente (para capacitar a organização a responder a um ritmo adequado à mudança que estávamos a experimentar).

Nessa altura, começou a vislumbrar, embora ainda não de uma forma muita clara, o potencial do caminho que estava a trilhar e percebeu a importância de criar uma área organizativa que suportasse a organização a percorrê-lo, endogeneizasse estas novas competências na organização e monitorizasse os resultados que estavam a ser produzidos.
Convidou-me para assumir essa nova área.
Foi um desafio imenso.

Rapidamente, ao assumir estas novas funções, apercebi-me que, apesar de termos melhorado muito a qualidade e a eficiência do nosso trabalho nas reuniões, não estávamos a ser tão rápidos na implementação da estratégia como gostaríamos.
Com a ajuda do nosso consultor, pudemos percebemos que tínhamos deficiências na gestão dos projectos estratégicos, mas, sobretudo, compreendemos que estávamos a dispersar-nos em demasiadas iniciativas em simultâneo.
Nessa altura, ele recordou-nos algo muito importante, o papel crítico da gestão de portfólio de projectos para a implementação da Liderança Estratégica. Com tantas iniciativas em simultâneo era fundamental discernir a importância/impacto dos projectos para a realização da Estratégia Global e saber dirigir esses esforços para os projectos mais impactantes.
Embora já tivesse tido contacto com a área da gestão de portfólio de projectos, nunca tinha tido oportunidade de utilizar uma metodologia que integrasse de forma articulada e coerente as preocupações estratégicas e operacionais da organização.
Na realidade, a nossa abordagem à gestão de projectos e à gestão de portfólio de projectos reflecte hoje cuidados e preocupações que só uma “Empresa que pensa” pode trabalhar, permitindo potenciar muito mais os nossos esforços organizativos.

Haveria muito mais para dizer sobre este caminho que percorremos.
Mas esta carta já vai longa…

Na verdade, nem sempre foi fácil, houve resistência e existiram companheiros (poucos!) que não se reviram no nosso caminho, no entanto, apareceram muitos outros a quem esta abordagem suscitou uma entusiástica adesão.
Hoje somos muito mais equipa. As nossas vendas triplicaram. Tornamo-nos uma empresa internacional e lidamos com relativa facilidade com a dimensão multicultural da nossa organização.

Ninguém entra na nossa empresa, para uma função de chefia, sem que aprenda a utilizar as estruturas de pensamento/reflexão que utilizamos nas nossa reuniões de trabalho, sem que conheça o seu papel/missão para realizar a estratégia global e os processos de pensamento crítico da organização.
A nossa cultura estimula a criatividade, a escuta activa e o diálogo com respeito, bem como, a responsabilização.

Implementamos um Processo de Inovação Estratégica que nos permite garantir que cerca de 33% das nossas vendas decorrem de produtos novos introduzidos nos últimos três anos. Chegamos ao ponto de criar uma sala de inovação, onde toda a inovação é discutida, pintamos nas paredes as fases do processo de pensamento de inovação e ao entrar na sala é fácil perceber quantas ideias estão no ar e em que fase do processo se encontram. A porta da sala está sempre aberta, para quando alguém tem uma ideia de um novo produto possa expressá-la e registá-la – será avaliada e integrada no processo de inovação, na reunião seguinte.

Revimos todos os nossos Processos Operacionais e o processo de Melhoria Continua da organização para que suportassem a nossa Estratégia Global e tirassem o máximo proveito de estarmos a construir uma “Empresa que pensa”.
Todos estes Processos de Pensamento são suportados por sistemas de informação, são monitorizados e são medidos os resultados que produzem. E isto é crítico, pois só podemos melhorar o que de alguma forma medimos.

Àqueles que nos visitam, impressiona o ritmo das nossas reuniões de trabalho, a sua fluidez e a facilidade com que clarificamos e consensualizamos decisões. 
Grita-lhes o entusiasmo e o conhecimento que nos diversos níveis da organização as pessoas têm da estratégia global e a consciência de como contribuem diariamente para a sua realização, bem como, o cuidado em registar e sugerir ideias para a novação da empresa.
Salta-lhes à vista os posters de trabalho que estão sempre afixadas nas nossas reuniões e onde vamos articulando a nossa reflexão de trabalho. No entanto, não conseguem compreender que o que ergue hoje esta organização já não são as paredes. No lugar destas, estão milhares de posters onde fomos construindo uma reflexão consensualizada, que se foi tornando a nossa linguagem e onde fomos depositando e construindo o nosso know-how organizativo.
Hoje, para mim, seria muito difícil trabalhar numa organização onde as paredes não fossem o ponto onde nos encontramos, enquanto pessoas que se escutam e sabem dialogar, e onde nos dizemos em conjunto e de forma consensual, como equipa, num poster - como quem abre nessa parede uma janela, uma outra nova janela.

Haveria muito mais para dizer, porque há dimensões intangíveis que só são perceptíveis para quem se senta ao nosso lado nas reuniões, atravessa os corredores dos nossos escritórios e toma um café connosco, para quem percorre as diversas fases dos nossos processos de pensamento critico…
Hoje, sinto que estamos no início. Há tanto para fazer.

Com amizade,

João