Sem fim à vista para esta austeridade e sem quaisquer expectativas de crescimento do consumo, a necessidade das organizações se diferenciarem e de disporem de uma melhor performance é absolutamente crítica.
Simultaneamente, a complexidade da realidade com que nos confrontamos e a vastidão de informação a que todos estamos sujeitos, colocam os líderes de hoje sob uma maior exigência ao nível da sua actividade mental, do que se viu durante várias gerações, para vencer num contexto tão competitivo.
Pode achar-se que a vantagem, neste contexto, se poderá colocar em termos dos “terabytes” de informação que se tem à disposição ou do exército de analistas disponíveis para entregar “competitive intelligence” única.
Mas a verdade, é que sejam quais forem os recursos que os seus concorrentes têm à sua disposição, o único factor que irá permitir que as sua deliberações sejam mais significantes, do que as suas, será a velocidade e a precisão da sua resolução de problemas e da formulação de decisões - em suma, a sua capacidade de pensar.
Na realidade, todas as organizações experimentam, de uma forma ou outra, os seguintes factores:
- a explosão da informação verificada nas últimas décadas que torna cada vez mais difícil e moroso processar a informação crítica;
- a rápida evolução tecnológica que coloca uma significativa pressão sobre a experiência e a perícia técnica, bem como, faz com que os decisores não possam mais contar unicamente com os seus conhecimentos técnicos para resolver os problemas e para enfrentar situações complexas, tendo de apreciar assuntos, recomendações com conteúdos que não dominam;
- o desejo / necessidade crescente das pessoas serem envolvidas no processo de decisão, para as mobilizar, dispor dos seus contributos e assegurar uma mais fluida implementação;
- a não linearidade da envolvente da organização;
- as consequências das decisões tendem a ser cada vez maiores;
- a pressão imposta sobre os decisores para que decidam em menos tempo e com forte exigências em termos de resultados,
que funcionam como elementos de pressão e de complexificação da decisão.
Neste contexto, não nos cansamos de repetir até à exaustão, que o desenvolvimento da capacidade de pensamento da organização irá tornar-se, mais tarde ou mais cedo, a chave critica para o seu sucesso competitivo.
Na realidade, a efectividade do pensamento de uma organização é o resultado, em primeiro plano, do desempenho dos processos de pensamento colectivo que permitem à organização articular de forma consensual as decisões criticas para o seu futuro e, num segundo plano, da qualidade do pensamento individual dos elementos dessa organização. Por melhor que tenha sida articulada a estratégica na decorrência de um raciocínio estratégico cuidado (num âmbito, por exemplo, de um Processo de Liderança Estratégica), boa parte do sucesso daquela estratégia passará pela capacidade de resolver problemas e formular decisões diárias que sejam coerentes e consistentes com aquela estratégia.
Tendo em vista promover a capacidade de pensamento das organizações, iremos nos próximos “posts” percorrer o caminho que nos permita conhecer:
- o que está menos bem nos padrões de pensamento que utilizamos nas organizações, quer colectivamente, quer individualmente;
- como aqueles padrões podem ser modificados para produzir um desempenho superior de indivíduos e de equipas;
- por fim, iremos reflectir, com base nos pontos anteriores, como se cria uma organização que pensa.
Porque "temos de pensar de uma nova maneira”…

