quinta-feira, 29 de março de 2012

COMUNICAÇÃO VERSUS LIDERANÇA ESTRATÉGICA I

Há alguns dias enviaram-nos um TED TALK muito interessante que hoje gostaria de partilhar (muito obrigado, Paula Elias).

Nesta breve reflexão, Simon Sinek apresenta-nos o modelo do "Círculo Dourado" como a estrutura de comunicação essencial que um líder de sucesso deve seguir.

Vale a pena visualizá-lo... 




Na próxima semana, gostava que nos encontrássemos aqui, novamente, para aprofundarmos o modelo que Simon Sinek nos propõe, clarificando as suas potencialidades, bem como, os seus limites, mas sobretudo a interligação profunda que tem com a Liderança Estratégica, tal como a entendemos. 

Desta forma, iremos tornar mais claro o papel da Liderança Estratégica, na vasta temática da Liderança.

Até lá!

quinta-feira, 22 de março de 2012

WHY I AM LEAVING GOLDMAN SACHS

No dia 14 de Março de 2012, Greg Smith, destacado director executivo da Goldman Sachs, um dos maiores bancos de investimento do mundo, demitiu-se das suas funções, tendo deixado no “The New York Times” um testemunho sobre as razões que fundamentaram a sua demissão.

Por se tratar de um testemunho muito interessante e rico, tomamos a iniciativa de o traduzir de forma integral.    
Inicialmente a nossa intenção era pegar no conteúdo deste documento e reflectir sobre as dimensões de liderança que nele estão reflectidas. No entanto, quando se redige um texto desta forma, neste contexto, não se está apenas a dar uma opinião ou a tecer um comentário, está a escrever-se a própria vida. E isso é muito, muito mais.

Perante este facto, deixamos aqui o texto traduzido, o silêncio que ele nos suscita e um profundo agradecimento a Greg Smith.  


“Hoje é meu último dia na Goldman Sachs. Após quase 12 anos nesta empresa - primeiro como estagiário de verão, em Stanford, depois em Nova Iorque, durante 10 anos, e agora em Londres -, acredito que trabalhei aqui o tempo suficiente para compreender a evolução cultural desta organização, a sua gente e identidade. E posso dizer honestamente que o ambiente hoje é tóxico e destrutivo, como nunca o foi.

Para colocar o problema em termos simples, poderíamos dizer que os interesses do cliente são marginalizados, ou desconsiderados, pela empresa na forma como opera e como pensa em ganhar dinheiro. Goldman Sachs é um dos maiores e mais importantes bancos de investimento do mundo, pelo que tem um papel demasiado importante no sistema financeiro global para continuar a agir desta forma. A empresa ​​desviou-se para muito longe daquela organização que conheci quando entrei, logo após a faculdade, e hoje já não posso em sã consciência, dizer que me identifico com o que ela representa.

Pode parecer surpreendente para um público céptico, mas a cultura sempre foi uma parte vital do sucesso do Goldman Sachs. Ela girava em torno de trabalho em equipa, da integridade, do espírito de humildade e de procurarmos sempre fazer o que era melhor para os nossos clientes. A cultura foi o ingrediente segredo que tornou esta empresa grande e nos permitiu ganhar a confiança de nossos clientes durante 143 anos. Não era apenas ganhar dinheiro, o que por si só não sustenta uma empresa por tanto tempo. Tinha algo a ver com orgulho e crença na organização. Estou triste, ao dizer que olho em volta hoje e praticamente não vejo nenhum vestígio dessa cultura, que me fez trabalhar apaixonadamente para esta empresa durante muitos anos. Hoje não tenho mais esse orgulho ou crença.

Mas isto não foi sempre assim. Por mais de uma década recrutei candidatos através do nosso exigente processo de entrevistas. Fui escolhido para ser uma das 10 pessoas (de uma empresa de mais de 30.000) que aparece no nosso vídeo de recrutamento, exibido em todos as faculdades que visitamos no mundo. Em 2006, fui responsável pelo programa de estágio de verão em vendas e negociação, em Nova Iorque, para os 80 estudantes universitários seleccionados entre os milhares que se candidataram.

Tomei consciência que estava na altura de ir embora, quando percebi que não conseguia mais olhar para os olhos dos alunos e dizer-lhes que a Goldman Sachs era um óptimo lugar para trabalhar.

Quando se escrever a história da Goldman Sachs, esta irá reflectir que o actual CEO, Lloyd C. Blankfein, e o presidente, Gary D. Cohn, perderam-se completamente da referência cultural existente na empresa. Acredito realmente que este declínio moral da empresa representa a ameaça mais séria à sua sobrevivência a longo prazo.

Ao longo da minha carreira tive o privilégio de aconselhar dois dos maiores “hedge funds” do planeta, cinco dos maiores gestores de activos nos Estados Unidos e três dos mais importantes fundos soberanos do Oriente Médio e Ásia. Os meus clientes representam conjuntamente activos totais de mais de um bilião de dólares. Sempre tive muito orgulho em aconselhar os meus clientes a fazer o que era melhor para eles - mesmo que isso implicasse uma menor receita para a empresa. No entanto, esta visão está a tornar-se cada vez mais impopular no interior do Goldman Sachs. Apenas outro sinal de que está na hora de ir embora.

Como se chegou aqui? A empresa mudou a forma como entende a liderança. A liderança costumava desenvolver-se em torno de ideias, em dar exemplo e fazer o que era correcto. Hoje, se você ganhar dinheiro suficiente para a empresa (e não for um assassino) será promovido a uma posição de influência.

Quais são as três formas rápidas de se tornar um líder no actual contexto?
a) executar os "eixos" da Empresa, que é uma forma de comunicar que a Goldman encontrou para convencer os seus clientes a investir em acções ou outros produtos dos quais se está a tentar livrar, simplesmente porque são vistos como produtos com baixo potencial de lucratividade;
b) “caçar elefantes" o que em linguagem compreensível significa: conseguir que os seus clientes - alguns dos quais são sofisticados e outros nem por isso – transaccionem o que traz maior lucro à Goldman. Podem chamar-me antiquado, mas não gosto de vender aos meus clientes um produto que é inadequado para eles;
c) ver-se sentado numa cadeira, onde o trabalho a executar consiste em transaccionar produtos sem liquidez, opacos e com uma qualquer sigla de três letras.

Hoje, muitos destes líderes exibem um nível de apropriação da cultura da Goldman Sachs próximo de zero. Assisti a reuniões de venda de derivados, onde nem um único minuto foi despendido a questionarmo-nos sobre como podemos ajudar os nossos clientes. Tudo se desenvolve em volta da ideia de como podemos sacar-lhes o máximo dinheiro possível. Se um marciano assistisse a uma destas reuniões, não acreditaria que o progresso e sucesso do cliente teria qualquer relevância para o trabalho que se estava a desenvolver.

Faz-me sentir mal ver como de forma tão insensível falam sobre dispensar clientes. Nos últimos 12 meses, vi cinco directores diferentes referirem-se aos seus próprios clientes como "marretas" - às vezes encontrei isto redigido em emails internos. Isto tudo, mesmo depois de a imprensa ter escrito alguns artigos bem críticos para com a Goldman Sachs? Falta de humildade? Falta de integridade? É uma completa erosão. Não conheço qualquer comportamento ilegal, mas não vão empurrando produtos lucrativos e complicados para os clientes mesmo que não sejam os mais produtos mais simples ou os mais directamente alinhados com os objectivos do cliente? Absolutamente. Todos os dias, na verdade.

Surpreende-me como os gestores seniores não apreenderam uma verdade essencial: se os clientes não confiam em nós, acabarão por deixar de fazer negócios connosco. Não importa o quão brilhante intelectualmente se é.

Por estes dias, a pergunta mais comum que me colocam os analistas juniores acerca de produtos derivados é: "quanto dinheiro sacamos aos nossos clientes?" Incomoda-me cada vez que os ouço, porque é um reflexo claro do que eles vêm e ouvem dos seus líderes sobre a forma como se devem comportar. Agora projectando 10 anos para o futuro, não tem de se ser um grande cientista para descobrir que o analista júnior, sentado calmamente no canto da sua sala, escutando expressões como "marretas", " ripping eyeballs out” e “getting paid” não se irá tornar necessariamente um cidadão modelo.

No primeiro ano em que fui analista, não sabia onde era o banheiro ou como amarrar os cordões dos meus sapatos. Mas fui ensinado a me preocupar com a aprendizagem do essencial: descobrir o que era um derivado; compreender o que são as finanças; conhecer os nossos clientes e aquilo que os motiva; aprender como eles definem o seu sucesso e como os poderíamos ajudar a alcançá-lo.

Meus melhores momentos na vida - recebendo uma bolsa integral para ir da África do Sul para a Universidade de Stanford, sendo seleccionado como estudante finalista para The Rhodes Scholarship, ganhando uma medalha de bronze para o ténis de mesa nos Jogos Maccabiah, em Israel - têm tudo a ver com trabalho e esforço, sem atalhos. Hoje a Goldman Sachs tornou-se uma organização muito centrada sobre a procura de atalhos e não sobre a busca de realização.

Espero que isto possa ser um alerta para o conselho de administração. Façam com que o cliente seja novamente o foco do negócio. Sem clientes não conseguirão ganhar dinheiro. Na verdade, deixarão de existir. Afastem as pessoas moralmente falidas, não importa quanto dinheiro eles geram para a empresa. E corrijam a cultura, para que as pessoas queiram trabalhar aqui pelas razões certas. Aquelas que se preocupam apenas em ganhar dinheiro, não vão sustentar esta empresa - ou a confiança dos seus clientes - por muito mais tempo.”

quinta-feira, 15 de março de 2012

NINGUÉM SENTE A FALTA DAQUILO QUE NUNCA TEVE



“Ninguém sente a falta daquilo que nunca teve.”

Já há algum tempo que, num documento comercial, esta afirmação foi reflexo de uma experiência muito pessoal.
Não sendo uma ideia nova, há momentos em que certas ideias nos tocam, interpelam – quase saltam à nossa frente.

Nos últimos dez anos da minha vida profissional, a confrontação com esta realidade tem sido diária e absolutamente brutal, desde que tomei contacto com o trabalho do Sr. Mike Robert, na área do “critical thinking”.

O Sr. Mike Robert acreditava que era possível modelar o processo raciocínio de decisões críticas para indivíduos e equipas de forma a produzir resultados muito superiores e melhorar as dinâmicas dessa mesma equipa – acabou por fazê-lo para grandes empresas com resultados impressivos na Catterpillar, na 3M e em várias multinacionais de renome.

Ele vinha na senda de dois conceituados investigadores, professores universitários, que em 1950, conduziram uma investigação sobre falhas e erros na formulação de decisão no Comando da Força Aérea Norte-americana. Eles descobriram que a formulação de decisão bem-sucedida dos oficiais da Força Aérea tinha menos a ver com o nível da sua patente do que com o processo lógico que o oficial utilizava para recolher, organizar e analisar a informação antes de tomar medidas. Com base nessa experiência, continuaram a analisar e a modelar continuamente processos de raciocínio para diversos fins, com particular ênfase para aplicações críticas em contexto empresarial, rasgando uma nova área de conhecimento a que se tem chamado o “critical thinking”.

Num contexto de tão grande volatilidade, complexidade e exigência, em que as decisões têm repercussões muitos maiores, a formulação da decisão, para os mais diversos fins, está sujeita a intensas pressões. Desenvolver a capacidade organizativa de formular uma decisão, integrando os elementos críticos da organização, quer seja para formular uma estratégia, inovar produtos, melhorar processos, ou outras dimensões organizativas, é hoje absolutamente crítico e deveria ser, no meu ponto de vista, uma das preocupações centrais das chefias executivas…
Ao fazê-lo, o responsável organizativo vai diminuir consideravelmente a resistência à implementação; aumentar o “empowerment” dos colaboradores, por serem parte activa na formulação, implementação e execução da decisão; levá-los a discutir e a assimilar pressupostos fundamentais da teoria de negócio (a maior parte das vezes não formalizada) que a chefia executiva segue; desenvolver a capacidade de decisão daqueles; consolidar um efectivo espirito de “team building”, por uma maior compreensão do todo e do contributo de cada um;  etc.

No entanto, como “poderão sentir a falta daquilo que não têm”? Como?
Porque não basta conhecer, estes processos só entusiasmam quem os “têm”, quem os usa e percebe/mede os seus resultados diariamente.

quinta-feira, 8 de março de 2012

BECAUSE PEOPLE REALLY MATTER!




Acredito que a mudança que as organizações hoje experimentam não encontra resposta na maior parte dos instrumentos e ferramentas da gestão, simplesmente porque a gestão visa a utilização eficiente de recursos.

Acredito que as organizações precisam, isso sim, é de uma utilização eficaz dos esforços organizativos, por outras palavras, precisam de liderança.

Acredito que a liderança eficaz, num contexto de tão profunda e complexa mudança, tem de fundar-se numa liderança estratégica clara, de forma a desdobrar-se como uma resposta global, coerente e integrada da organização.

Acredito que este jeito de liderar implica reconhecer o papel crítico que cada um tem na organização, ou seja, implica integrar de forma continuada os contributos pertinentes, gerando os necessários consensos, para a compreensão, a articulação e a realização da mudança nos diversos níveis da organização.

Acredito que a liderança assim entendida, não se faz por discursos ou por intenções, mas funda-se numa dinâmica de mobilização, suportada processualmente, consistente, que garanta de forma adequada o envolvimento de todos.

Acredito que as pessoas realmente contam, que verdadeiramente são quem alimenta os elementos de diferenciação críticos da organização, quem possui a energia e a criatividade para contribuir para o encontrar e o realizar de novos caminhos para a organização.

Acredito que perseguir isto de forma consistente e coerente, fundado em valores, e empenhar-se de forma disciplinada e com um ritmo adequado, permite criar uma equipa forte e vitoriosa; permite erguer pessoas, tornando-as líderes.

Acredito que isto vale muito a pena.

Luís Filipe Campos

quinta-feira, 1 de março de 2012

EXPORTAR A TODO VAPOR II



Na verdade, muito mais do que reagir a este grito de guerra dos nosso políticos para “EXPORTAR A TODO O VAPOR”, as empresas, perante a inevitabilidade da globalização, precisam de se pensar como organizações a competir globalmente, pelo que se torna imperativo preparar a sua internacionalização - que é muito mais do que exportar.

No entanto, a internacionalização por precisar de uma resposta ordenada, sistematizada e transversal da organização, deve ser suportada por um processo que esteja articulado coerentemente com a estratégia global da organização.

Esse processo deverá, antes de mais, propor uma sequência de trabalho que permita à própria equipa de gestão clarificar as dimensões críticas fundamentais a apreciar, para iniciar um processo de internacionalização, avaliando o potencial da oportunidade e determinando os riscos que lhe estão associados (bem como as medidas mais adequadas para lidar com esses risco). Numa segunda fase, permitir estabelecer, implementar e executar um plano transversal de internacionalização e, por fim, monitorizar e corrigir a execução desse plano de internacionalização.

A Leading Change, junto com o Dr. Adelino Cunha, do I Have the Power (www.ihavethepower.net) e o Dr. Vitor Pinheiro, especialista em International Business Development e professor convidado da Universidade Fernando Pessoa em Internacionalização, tem vindo a reflectir sobre as dimensões essenciais que um processo de internacionalização deve integrar para preparar de forma efectiva uma organização.

Deste trabalho conjunto, foi-se tornando claro um articulado de dimensões, aqui referidas de uma forma muito sucinta, que a organização deve trabalhar e preparar:
  • permitir evidenciar os ganhos, sinergias e riscos estratégicos de um dado mercado;
  • levar a organização a conhecer de forma efectiva o mercado de internacionalização e a modelar a proposta de valor adequada para esse mercado;
  • conhecer a concorrência com que se irá enfrentar e estabelecer as medidas pertinentes para lidar com esse contexto de concorrência;
  • estabelecer de forma cuidada o modelo de negócio adequado, nesse mercado de internacionalização, e levantar os riscos que lhe estão associados e as medidas preventivas e de protecção pertinentes;
  • estabelecer um programa de marketing articulado que explore e potencie a penetração nesse novo mercado;
  • estabelecer um programa comercial que clarifique a equipa comercial, os resultados que deverá produzir, um programa de treino e de desenvolvimento desses profissionais, bem como, o crítico modelo de supervisão;
  • identificar os recursos necessários e a forma apropriada de os obter, dando particular ênfase ao necessário desenvolvimentos dos recurso humanos;
  • articular uma plano, elaborado consensualmente pela equipa de gestão, que integre todo o tipo de iniciativas que: exponenciam a oportunidade de internacionalização; minimizam o seu risco de insucesso e/ou os riscos que a própria organização incorre na prossecução desse novo mercado;
  • clarificar os sistemas de recolha permanente de informação, monitorização e auditoria de mercados, que permita conhecer o desempenho efectivo e corrigir todas as dimensões que necessitem de ser melhoradas;
  • agregar toda a informação gerada num Business Plan que estabeleça claramente objectivos e responsabilidades e possibilite a integração com os outros instrumentos da organização.
O objectivo final é que a aplicação deste processo gere um plano de acção, fortemente consistente, coerente e articulado para internacionalização da empresa para um, ou mais, mercados concretos.

A apropriação pela organização de um processo com estas características, suportadas por um exercício atento e consistente de melhoria contínua, permitir-lhe-á, a prazo, endogeneizar competências críticas necessárias para lidar eficazmente com a internacionalização.

Algo tão necessário num contexto marcado por uma tão intensa globalização.