Pecado nº 7: Esperar
por um momento oportuno para reflectir estrategicamente
Ao longo dos anos, fomo-nos apercebendo do poder deste mito, “o do
momento oportuno”, na mente de muito dos Chefes Executivos com quem nos
cruzamos.
Basicamente centra-se no pressuposto que algures no futuro, quando se
verificar um conjunto mais ou menos idílico de circunstâncias, aí sim, será
possível pensarmos estrategicamente e tirarmos realmente todo o proveito de um
Processo de Liderança Estratégica.
As razões porque não o podemos fazer hoje são as mais diversas: vamos
adquirir e instalar um novo sistema de informação, estamos a entrar num novo
mercado; iremos iniciar um processo de reestruturação; estamos a recrutar novos
elementos; estamos a arrancar com um processo de certificação; temos a equipa
de gestão muito assoberbada, etc.
Naturalmente, hoje emerge uma razão que está presente em todas as
conversas: a crise!
Na crise quem tem tempo ou recursos para se dispor a pensar
estrategicamente?
No entanto, sendo a estratégia a “ estrutura essencial de decisão que
determina a natureza e direcção de uma organização”, não deverá ser ela a
primeira fonte dos critérios para: o sistema de informação a adquirir; os
mercados a penetrar; a reestruturação; o recrutamento e integração; para as
diversas dimensões operacionais da organização, incluindo as que irão ser
certificadas, e sobretudo articular a forma mais eficaz de enfrentarmos a
crise?
Não será no meio desta crise, que mais precisamos de uma Liderança
Estratégica que mobilize os recursos fundamentais da organização para a sua
superação?
Na realidade, por detrás deste
mito encontra-se a dificuldade de muitos responsáveis organizativos perceberem
a pungente necessidade de uma Liderança Estratégica forte, assente uma reflexão
estratégica plural e racionalmente construída.
Por isso mesmo, paradoxalmente, quando muitas destas
organizações passaram por períodos de prosperidade resistiram igualmente ao
pensamento estratégico. Quando os indicadores eram positivos e todos os
gráficos estavam em inclinação ascendente, quem é que sentia necessidade de
pensar para onde se dirigir?
Bill Gates desmonta de forma clara esta falácia:
“O meu sucesso nos negócios tem resultado, em
grande medida, da capacidade de me focar em objectivos de longo-prazo,
ignorando distracções de curto-prazo. Assumir uma perspectiva de longo-prazo
pode não requerer brilhantismo, mas exige dedicação. Quando o nosso negócio
está de boa saúde, é difícil comportarmo-nos como se ele estivesse em crise. É
por isso que uma das missões mais difíceis da gestão, especialmente em sectores
de alta tecnologia, é reconhecer a necessidade de mudança e fazê-la enquanto
ainda se tem essa oportunidade.”
Na nossa opinião, o pensamento
estratégico deve causar pró-activamente a organização nas suas mais diversas
dimensões e circunstâncias. No entanto, torna-se mais difícil de o fazer nas
épocas menos favoráveis, embora na verdade seja ainda mais importante - pois existe
uma maior premência para as organizações se repensarem e o espaço para se
cometerem erros é menor.
Lição nº 7: Não procrastinar a reflexão estratégica


