Já
tinhamos tornado claro que “uma incubadora útil para o desenvolvimento de um
melhor pensamento organizativo está no ambiente relativamente controlado das
reuniões de trabalho”, bem como, é “particularmente importante começar pelas
reuniões cujas conclusões provoquem maior impacto no futuro da organização” (ver post de 17/01/13).
Nesta
caminhada de edificar uma “Empresa que pensa”, no último post destacamos a
importância de planificar cuidadosamente estas reuniões para que elas permitam
aos participantes articular conjuntamente conclusões importantes para a
organização e se tornem espaço de nidificação de uma nova forma de pensar.
Essa
planificação tem necessariamente de integrar alguns cuidados particulares, dos
quais destacaríamos de forma muito sintética (ver mais aprofundadamente no post de 24/01/2013): i) uma
estruturação da agenda de reunião que respeite os processos de pensamento que
terão de ser utilizados para atingir os objectivos estabelecidos; ii) garantir
a participação das pessoas certas nessa reunião; iii) assegurar uma
estruturação do pensamento adequado nessas reuniões, bem como, numa fase
inicial, a presença de um facilitador experiente que encaminhe a reflexão dos
participantes na aplicação dessa estrutura de pensamento; iv) finalizar a
reunião medindo os resultados produzidos e evidenciando os benefícios quer para
os participantes, quer para organização, desta nova forma de pensar/trabalhar
em conjunto.
De
uma reunião tradicional, daquelas em que acabamos por despender muito do nosso
tempo de trabalho, o melhor output que se poderá esperar é uma acta onde se
encontram registadas as principais conclusões dos participantes e uma, ou outra
dimensão, que o redactor considerou útil deixar registado.
Numa
reunião que vise a tal nidificação de uma “Empresa que pense” isto é
manifestamente pouco e inadequado. Na realidade, a equipa de trabalho ao
percorrer um processo de pensamento para, por exemplo, resolver um problema,
vai ter de responder consensualmente a um articulado de questões
sequencialmente construídas, registadas em modelos apropriados à vista de todos.
Desta
forma, aquele conjunto de documentos regista não só a conclusão, bem como, a
própria construção reflexiva que a fundamentou e os pressupostos que lhe
subjazem.
Assim,
é possível:
I - ter sempre presente os fundamentos daquela resolução do
problema, clarificando eventuais dúvidas na fase de implementação e execução da
decisão;
II - desconstruir a própria formulação a qualquer momento, sem
que se tenha de recomeçar do início novamente o debate de ideias.
Concretamente, quando um dos pressupostos sobre o qual se baseou a nossa
decisão não se verifica, ou pelo menos não se verifica nas condições em que se
esperava, existe apenas necessidade de perceber em que medida esse facto altera
a qualidade da nossa decisão e rever a estrutura de pensamento, anteriormente
articulado, tendo presente este novo facto;
III - quando a solução consensualizada não
produz, na fase de execução, os resultados que se esperariam, é agora possível
e muito recomendável rever a estrutura de pensamento anteriormente articulada
para perceber o que correu menos bem e identificar cuidados a ter para evitar,
ou minimizar, erros de avaliação ou imprecisões que poderão ter ocorrido;
IV - facilitar a assimilação pelos participantes destas
estruturas de pensamento, já que poderão sempre rever os passos de formulação
seguidos, nas referidas reuniões, os cuidados a ter na sua aplicação e
empregá-las em situações novas, da sua realidade, em que se revelem adequadas;
V - estas estruturas de pensamento tendem a enformar uma
linguagem e uma forma de reflectir as preocupações da organizações à medida
que são aplicadas consistentemente. Assim, qualquer pessoa, que domine
minimamente aquelas estruturas, facilmente percebe os fundamentos da solução
sem que tenha necessariamente participado da reunião;
VI - pela aplicação sistemática, ao longo do tempo, acabará
por tornar-se evidente a existência de um conjunto de pressupostos e de
princípios que frequentemente emergem na discussão e acabam por ficar registados
na reflexão efectuada. Este conjunto de pressupostos e de princípios nem sempre
é tão claro e consciente quanto os próprios gestores gostariam e muitas vezes
constitui um obstáculo significativo a uma melhoria da qualidade das soluções
encontradas pela organização para lidar com as suas preocupações.
Ao
emergirem torna-se possível lidar adequadamente com esta realidade em que
muitas vezes emergem valores éticos, anti-valores, pressupostos sobre o
mercado, as operações, etc. e crenças de diversas naturezas. Agora é possível,
em primeiro lugar, desmistificar e afastar muitos daqueles elementos que são
nocivos ao crescimento da organização e clarificar melhor, explicitando-os e
articulando as suas consequências, para aquelas dimensões que queremos
exponenciar para suportar o seu desenvolvimento futuro.
Existem
multinacionais que já dispõem de sistemas de informação que permitem registar
aqueles modelos, permitindo à empresa conhecer como estão a lidar com as
preocupações os seus gestores em diversas partes do globo. As vantagens que
decorrem da utilização de um sistema com estas características são imensas, das
quais destacaria criar condições para a sistematização do know-how na
organização.
Por exemplo:
um gestor na Europa tem acesso à estrutura de pensamento dos seus congéneres,
em outros pontos do globo, quando se confrontaram com um problema igual ou
similar. Desta forma, mais do que copiar uma solução. ele pode conhecer da
adequação dos seus fundamentos à situação que ele enfrenta.
As
implicações e as oportunidades que decorrem desta escolha deliberada por
edificar uma “Empresa que pensa” são, no nosso ponto de vista, imensas, podendo
constituir-se como uma vantagem competitiva assinalável num mundo onde se torna
cada vez mais importante desenvolver a capacidade da organização captar,
assimilar e integrar eficaz e eficientemente a informação útil.


