Depois
de uma sistematização sobre “o que está menos bem nos padrões de pensamento que
utilizamos nas organizações, quer colectivamente, quer individualmente”, no último
post (de 20/12/12) propusemos como ponto de partida para fundar uma “Empresa
que pensa” a realização de uma breve diagnóstico que permita ao responsáveis
organizativos auto-avaliarem a situação em que a organização se encontra hoje.
Este
diagnóstico, desde que realizado com autenticidade, irá permitir perceber
melhor a actual situação da empresa e as dimensões que precisam de ser
trabalhadas para fundar uma “Empresa que pensa”.
Na
realidade, para quem percorreu connosco esta reflexão foi ficando clara a
necessidade de se melhorar os processos de pensamento individual e colectivos
das organizações, bem como, o contexto cultural onde se desenvolvem.
Melhorar
aqueles processos implica em primeira lugar balancear de forma adequada o
sistema de pensamento associativo (a que denominamos de I, ver blog de 15/11/12)
e o sistema de pensamento esforçado e racional (II). Na realidade, não faz
sentido pressupor que a melhor forma de resolver a sobreposição do sistema de
pensamento I sobre o II, com todos os problemas que daí decorrem, será simplesmente levar as pessoas a se envolverem numa aplicação esforçada e
controlada do sistema de pensamento II.
Na
realidade, este sistema de pensamento é muito lento para actuar como um
substituto para o sistema I, em decisões de rotina, para além de que dificilmente
se consegue garantir, dada a natureza do acto de pensar, que estamos a aplicar
num nível de rigor adequado o sistema de pensamento II.
Assim,
torna-se premissa de optimização do pensamento organizativo, “ajudar as pessoas
a saberem como usar uma mente que funciona sobre dois sistemas de pensamento,
quando deve ser utilizados cada um desses sistemas e, muito importante, quando
devem ser utilizados conjuntamente”.
Em
segundo lugar, é igualmente crítico ajudar a organização e os seus colaboradores
a garantirem que os processos de pensamento estratégico e inovador não sejam
esmagados pela permanente urgência das formas de pensamento mais directamente
ligadas às operações.
Conscientes
da necessidade de trabalhar as dimensões acima referidas, coloca-se a seguinte
questão: Por onde devemos começar?
A
resolução de problemas e a formulação de decisões acontece em organizações, de
um modo geral, em três locais: na mente de um indivíduo, em conversas informais
entre colaboradores, ou em reuniões de trabalho.
A
experiência internacional sugere que uma incubadora útil para o desenvolvimento
de um melhor pensamento organizativo está no ambiente relativamente controlada
das reuniões de trabalho. Ao moldar-se o pensamento que aqui ocorre, não só
teremos a oportunidade de influenciar a qualidade do pensamento estratégico,
inovador e operacional mais significativo, mas através da sua participação em reuniões,
os indivíduos serão expostos a uma abordagem de processo racional que irá
melhorar o seu pensamento fora do contexto destas reuniões.
É
particularmente importante que se comece pelas reuniões cujas conclusões
provoquem maior impacto no futuro da organização, desta forma a liderança está
a sinalizar o seu comprometimento e empenho na mudança em curso.
Seguindo
o princípio de Pareto, só cerca de 20% das reuniões de uma organização é que
realmente têm aquele nível de impacto. Caso tenha dificuldade em identificar
essas reuniões, poderá fazê-lo verificando se os objectivos das mesmas: abordam
importantes problemas estratégicos e / ou operacionais; implicam formular
decisões que envolvem níveis significativos de recursos para a organização; implicam
apreciar riscos e / ou oportunidades que poderão afectar a natureza e a direcção
da empresa.
Agora
que identificamos por onde vamos começar, importa reflectir sobre o “como”
dessas reuniões. É por isso extremamente importante prepará-las e planificá-las
cuidadosamente, incorporando os processos de raciocínio críticos pertinentes,
pois só assim conseguiremos que se tornem o espaço de nidificação de uma nova
forma de pensar da organização.
No
próximo post iremos continuar a identificar as dimensões que devem ser
trabalhadas para fundar de forma efectiva uma “Empresa que Pensa”, clarificando
os cuidados de preparação e de facilitação destas reuniões de trabalho.

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