quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

FUNDAR UMA EMPRESA QUE PENSA (I) - A nidificação


Depois de uma sistematização sobre “o que está menos bem nos padrões de pensamento que utilizamos nas organizações, quer colectivamente, quer individualmente”, no último post (de 20/12/12) propusemos como ponto de partida para fundar uma “Empresa que pensa” a realização de uma breve diagnóstico que permita ao responsáveis organizativos auto-avaliarem a situação em que a organização se encontra hoje.
Este diagnóstico, desde que realizado com autenticidade, irá permitir perceber melhor a actual situação da empresa e as dimensões que precisam de ser trabalhadas para fundar uma “Empresa que pensa”.

Na realidade, para quem percorreu connosco esta reflexão foi ficando clara a necessidade de se melhorar os processos de pensamento individual e colectivos das organizações, bem como, o contexto cultural onde se desenvolvem.

Melhorar aqueles processos implica em primeira lugar balancear de forma adequada o sistema de pensamento associativo (a que denominamos de I, ver blog de 15/11/12) e o sistema de pensamento esforçado e racional (II). Na realidade, não faz sentido pressupor que a melhor forma de resolver a sobreposição do sistema de pensamento I sobre o II, com todos os problemas que daí decorrem, será simplesmente levar as pessoas a se envolverem numa aplicação esforçada e controlada do sistema de pensamento II.
Na realidade, este sistema de pensamento é muito lento para actuar como um substituto para o sistema I, em decisões de rotina, para além de que dificilmente se consegue garantir, dada a natureza do acto de pensar, que estamos a aplicar num nível de rigor adequado o sistema de pensamento II.
Assim, torna-se premissa de optimização do pensamento organizativo, “ajudar as pessoas a saberem como usar uma mente que funciona sobre dois sistemas de pensamento, quando deve ser utilizados cada um desses sistemas e, muito importante, quando devem ser utilizados conjuntamente”.

Em segundo lugar, é igualmente crítico ajudar a organização e os seus colaboradores a garantirem que os processos de pensamento estratégico e inovador não sejam esmagados pela permanente urgência das formas de pensamento mais directamente ligadas às operações.

Conscientes da necessidade de trabalhar as dimensões acima referidas, coloca-se a seguinte questão: Por onde devemos começar?

A resolução de problemas e a formulação de decisões acontece em organizações, de um modo geral, em três locais: na mente de um indivíduo, em conversas informais entre colaboradores, ou em reuniões de trabalho.
A experiência internacional sugere que uma incubadora útil para o desenvolvimento de um melhor pensamento organizativo está no ambiente relativamente controlada das reuniões de trabalho. Ao moldar-se o pensamento que aqui ocorre, não só teremos a oportunidade de influenciar a qualidade do pensamento estratégico, inovador e operacional mais significativo, mas através da sua participação em reuniões, os indivíduos serão expostos a uma abordagem de processo racional que irá melhorar o seu pensamento fora do contexto destas reuniões.

É particularmente importante que se comece pelas reuniões cujas conclusões provoquem maior impacto no futuro da organização, desta forma a liderança está a sinalizar o seu comprometimento e empenho na mudança em curso.

Seguindo o princípio de Pareto, só cerca de 20% das reuniões de uma organização é que realmente têm aquele nível de impacto. Caso tenha dificuldade em identificar essas reuniões, poderá fazê-lo verificando se os objectivos das mesmas: abordam importantes problemas estratégicos e / ou operacionais; implicam formular decisões que envolvem níveis significativos de recursos para a organização; implicam apreciar riscos e / ou oportunidades que poderão afectar a natureza e a direcção da empresa.

Agora que identificamos por onde vamos começar, importa reflectir sobre o “como” dessas reuniões. É por isso extremamente importante prepará-las e planificá-las cuidadosamente, incorporando os processos de raciocínio críticos pertinentes, pois só assim conseguiremos que se tornem o espaço de nidificação de uma nova forma de pensar da organização.

No próximo post iremos continuar a identificar as dimensões que devem ser trabalhadas para fundar de forma efectiva uma “Empresa que Pensa”, clarificando os cuidados de preparação e de facilitação destas reuniões de trabalho. 

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