No
último post, referimos que “uma incubadora útil para o desenvolvimento de um
melhor pensamento organizativo está no ambiente relativamente controlado das
reuniões de trabalho. Ao moldar-se o pensamento que aqui ocorre, não só teremos
a oportunidade de influenciar a qualidade do pensamento estratégico, inovador e
operacional mais significativo, mas através da sua participação em reuniões, os
indivíduos serão expostos a uma abordagem de processo racional que irá melhorar
o seu pensamento fora do contexto destas reuniões.”
Acrescentamos,
na circunstância ser “particularmente importante que se comece pelas reuniões
cujas conclusões provoquem maior impacto no futuro da organização”.
Estas
reuniões para poderem atingir o seu duplo objectivo de: i) permitirem articular
conjuntamente conclusões importantes para a organização; ii) serem espaço de
nidificação de uma nova forma de pensar, devem ser objecto de um planeamento
cuidado e rigoroso.
Para
esse efeito, gostaríamos de destacar apenas alguns cuidados particulares que permitam
a estas reuniões constituírem-se como ponto de ruptura para a forma como
pensamos organizativamente.
Em
primeiro lugar, a agenda de trabalho deve naturalmente explicitar os resultados
a atingir, o horário e a duração prevista (fazendo de preferência uma
estimativa de dispêndio temporal, para cada ponto da agenda). Na estruturação
da agenda é crítico distinguir a natureza da preocupação em causa e o padrão de
pensamento que iremos utilizar. Desejavelmente, por exemplo, as preocupações de
natureza estratégica deveriam ser tratadas em reuniões distintas das
preocupações operacionais, simplesmente porque as segundas sobrepõem-se com
facilidade às primeiras. Assim, estaremos a permitir às pessoas perceber a
diferença entre estes dois tipos de preocupações, a dar ênfase ao papel da
estratégia na organização e a tornar claro a diferença do tipo de pensamento
que lhe subjaz.
Simultaneamente,
por exemplo, numa reunião operacional confrontamo-nos com vários itens
diferentes que fazem apelo a processos de pensamento distintos. A estrutura de
pensamento é muito diferente quando tentamos resolver um problema, formular uma
decisão ou explorar uma oportunidade.
Desejavelmente,
a agenda deveria procurar juntar preocupações que irão fazer uso de processos
de pensamento similares, garantindo um pequeno intervalo (ou uma quebra) sempre
que a nova preocupação faz apelo a um outro processo de pensamento.
Em
segundo lugar, é importante garantir que irão estar reunidas as pessoas certas
nestas reuniões.
Vários
factores devem ser ponderados para determinar quem é convidado para estas
reunião, das quais destacaríamos: a necessidade de assegurar compromisso de
pessoas críticas para a implementação das conclusões dessa reunião; assegurar o
mais elevado nível de conhecimento e de experiência existente na organização,
face às preocupações que irão ser abordadas.
Quer
o objectivo da reunião seja o de desenvolver um pensamento divergente sobre um
universo de possibilidades futuras, ou um pensamento convergente associado a
fazer uma escolha específica, a pergunta que necessita de ser imperativamente colocada
é: Qual é o nível de experiência directa, actual e real que os participantes
têm sobre o assunto em causa?
Em
terceiro lugar, é também importante tornar visível nessas reuniões o papel distinto
que o conteúdo (o conhecimento dos participantes) e o processo de pensamento
têm para se adereçar eficazmente a preocupação agendada. Assim, é muitíssimo
recomendável que as primeiras reuniões disponham de um facilitador,
desejavelmente exterior à organização (para que seja compreendido como exógeno a
esta e afastado do conteúdo da preocupação em causa) que domine a aplicação dos
processos de pensamento necessários ao objectivo da reunião. Desta forma, ele
terá condições de explicitar a estrutura de pensamento adequado e encaminhar a
reflexão dos participantes ao longo desta, funcionando como um disciplinador do
pensamento colectivo.
Assume,
assim, um papel central a utilização de um conjunto de processos racionais que
possam ajudar a estruturar as deliberações a tomar. Desejavelmente, este
conjunto de processos, deverá garantir que será utilizado o sistema I de
pensamento (mais rápido), quando podemos ter a certeza da veracidade dos
resultados produzidos, e utilizar uma análise mais cuidada do tipo sistema II,
quando é necessário mais rigor.
Já
há mais de 50 anos que alguns cientistas sociais estudaram e compreenderam como
funciona a nossa mente analítica, dando um precioso contributo para a melhoria
da qualidade de pensamento nas nossas organizações.
Na realidade,
pela observação atenta de muitos profissionais, eles verificaram que o nosso
sistema de pensamento II é baseado em quatro padrões básicos distintos de
pensamento. Ou seja, não obstante as pessoas pensarem de formas diferentes,
toda a actividade produtiva que ocorre dentro de uma organização está
relacionada com um destes quatro padrões básicos de pensamento.
Em
seguida, procuraram documentar e modular esses quatro distintos padrões de
pensamento a partir da observação de profissionais que revelaram uma eficácia
superior na sua aplicação, estruturando-os num sistema de processos de
pensamento.
Este
sistema de processos de pensamento são utilizados para optimizar o fluxo de
pensamento e a conversa dentro de qualquer reunião. Cada um dos processos racionais
de pensamento, que constituem aquele sistema, deverá ser utilizado de acordo
com a natureza das preocupações que estamos a resolver e a necessidade de gerir
o nosso sistema de pensamento impulsivo I.
Estes
processos são poderosas ferramentas capazes de melhorar a qualidade do
pensamento colectivo na sua organização. Com a prática repetida, a utilização
desses processos racionais vai sendo interiorizada, tornando-se intuitiva e
transformando a qualidade de pensamento, em primeiro lugar nas reuniões de
trabalho e, em seguida, nos diversos elementos da organização envolvidos nessas
reunião, para por fim, de forma mais ampla, começar a alicerçar uma “Empresa
que pensa”.
Desejavelmente,
no final de cada reunião assume particular importância medir os objectivos
alcançados, face aos objectivos a que nos propusemos, identificar as principais
dificuldades que a equipa experimentou na aplicação daqueles processos de
pensamento – estabelecendo medidas que permitam lidar com essas dificuldades –,
e evidenciar os benefícios obtidos pela aplicação daqueles processos de
raciocínio, de forma a permitir que os elementos da sua equipa apreendam os
resultados individuais e colectivos da sua aplicação.
Em
pouco tempo fundar uma “Empresa que pensa” torna-se um
objectivo de todos.

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