quinta-feira, 4 de abril de 2013

A IMPORTÂNCIA DO RACIOCÍNIO ESTRATÉGICO



Muitos Chefes Executivos têm na sua mente uma visão do rumo a seguir.
Com base nessa consensualização e alinhamento, criamos o fundamento da liderança estratégica eficaz, a qual permitirá a introdução de uma dinâmica e de um ritmo entusiasmante que possibilitarão uma pró-actividade efectiva que explorará continuamente a mudança em favor da organização.

Ora, como o raciocínio que subjaz à referida visão é normalmente pessoal e informal, aqueles Chefes Executivos não se confrontam (ou não são confrontados) com a globalidade de pressupostos sobre a qual assenta, o que, naturalmente, os impede de perceber a totalidade de implicações que dela decorre.

No mesmo sentido, esta visão, por ser uma imagem mental do Chefe Executivo, é difusa e imprecisa, levando os colaboradores da organização a terem dificuldade em compreendê-la para decidir e agir coerentemente.
Em suma, a organização acaba, inevitavelmente, por seguir um trajecto ziguezagueante e a revelar evidentes incoerências organizativas.

O ritmo de mudança acentuada que estamos e continuaremos a experimentar, torna esta lacuna de reflexão estratégica particularmente grave, porque esta mudança está a (ou vai, a breve trecho) questionar, ainda que imperceptivelmente, os decisivos fundamentos estratégicos, não completamente percebidos, do negócio.

Tal prende-se, no nosso ponto de vista, à ausência de um raciocino estratégico formal que leve o responsável organizativo a confrontar-se com a globalidade de pressupostos sobre a qual assenta aquela visão difusa que têm para a organização. Naturalmente, a ausência daquele raciocínio estratégico formal impede-o também de perceber a totalidade das implicações que decorrem dessa visão.

Simultaneamente, a complexidade crescente dos negócios, das organizações e dos seus contextos obriga a que as organizações tenham de ser geridas, cada vez mais, através de uma equipa de gestão multidisciplinar. Ora, esta equipa tem de perceber profunda e integradamente os fundamentos daquele rumo, em vez de simplesmente o conhecer de uma forma mais ou menos difusa ou parcelar.

Na realidade, é crítico que os elementos da equipa de gestão, multidisciplinar, com base na sua própria leitura específica da realidade, fundada nos seus conhecimentos técnicos e os adquiridos, contribuam para: i) interpretar o negócio; ii) questionar os seus pressupostos; iii) identificar oportunidades e ameaças; iv) implementar e executar na sua área funcional, ou nos projectos estratégicos necessários, a estratégia organizativa.

Por outras palavras, é fundamental congregá-los numa dinâmica de liderança estratégica, capacitando-os a tornarem-se elementos activos e participativos da formulação e da implementação/execução da estratégia.

Tal desiderato é exequível mediante a aplicação de um processo metodológico que derrube as naturais barreiras departamentais existentes nas organizações, que estruture uma linguagem e desenvolva a literacia dos gestores-chave da organização nos conceitos essenciais à formulação/implementação estratégica – subjacentes à lógica desse processo.

Desta forma, compreende-se como o raciocínio estratégico é a pedra basilar de uma efectiva liderança estratégica e, no nosso ponto de vista, constitui a competência organizativa mais crítica ao sucesso de uma organização nos nossos dias, o investimento mais urgente para muitas das empresas portuguesas.

Na essência, estamos a recuperar conhecimentos ancestrais sobre a natureza humana. Sempre soubemos que, num indivíduo, a qualidade das suas decisões e acções, depende da qualidade do pensamento que lhes subjaz.

Nas organizações passa-se exactamente o mesmo.

A robustez e a consistência de uma organização dependem da qualidade do pensamento organizativo que a antecede.

No entanto, este pensamento organizativo é complexo porque se desenvolve em várias cabeças que importa consensualizar e alinhar, pelo que a forma e a disciplina processual é crítica.

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