Muitos Chefes Executivos têm na sua mente uma visão do rumo a seguir.
Com base nessa consensualização e alinhamento, criamos o fundamento da liderança estratégica eficaz, a qual permitirá a introdução de uma dinâmica e de um ritmo entusiasmante que possibilitarão uma pró-actividade efectiva que explorará continuamente a mudança em favor da organização.
Ora, como o raciocínio que subjaz à referida visão é normalmente pessoal e informal,
aqueles Chefes Executivos não se confrontam (ou não são confrontados) com a
globalidade de pressupostos sobre a qual assenta, o que, naturalmente, os
impede de perceber a totalidade de implicações que dela decorre.
No mesmo
sentido, esta visão, por ser uma imagem mental do Chefe Executivo, é difusa e
imprecisa, levando os colaboradores da organização a terem dificuldade em
compreendê-la para decidir e agir coerentemente.
Em suma,
a organização acaba, inevitavelmente, por seguir um trajecto ziguezagueante e a
revelar evidentes incoerências organizativas.
O ritmo
de mudança acentuada que estamos e continuaremos a experimentar, torna esta
lacuna de reflexão estratégica particularmente grave, porque esta mudança está
a (ou vai, a breve trecho) questionar, ainda que imperceptivelmente, os
decisivos fundamentos estratégicos, não completamente percebidos, do negócio.
Tal
prende-se, no nosso ponto de vista, à ausência de um raciocino estratégico
formal que leve o responsável organizativo a confrontar-se com a
globalidade de pressupostos sobre a qual assenta aquela visão difusa que têm
para a organização. Naturalmente, a ausência
daquele raciocínio estratégico formal impede-o também de perceber a
totalidade das implicações que decorrem dessa visão.
Simultaneamente,
a complexidade crescente dos negócios, das organizações e dos seus contextos
obriga a que as organizações tenham de ser geridas, cada vez mais, através de
uma equipa de gestão multidisciplinar. Ora, esta equipa tem de perceber
profunda e integradamente os fundamentos daquele rumo, em vez de simplesmente o
conhecer de uma forma mais ou menos difusa ou parcelar.
Na
realidade, é crítico que os elementos da equipa de gestão, multidisciplinar,
com base na sua própria leitura específica da realidade, fundada nos seus
conhecimentos técnicos e os adquiridos, contribuam para: i) interpretar o negócio; ii) questionar os seus
pressupostos; iii) identificar oportunidades e ameaças;
iv) implementar e executar na sua área funcional, ou nos projectos
estratégicos necessários, a estratégia organizativa.
Por
outras palavras, é fundamental congregá-los numa dinâmica de liderança
estratégica, capacitando-os a tornarem-se elementos activos e participativos da
formulação e da implementação/execução da estratégia.
Tal
desiderato é exequível mediante a aplicação de um processo metodológico que
derrube as naturais barreiras departamentais existentes nas organizações, que
estruture uma linguagem e desenvolva a literacia dos gestores-chave da
organização nos conceitos essenciais à formulação/implementação estratégica –
subjacentes à lógica desse processo.
Desta
forma, compreende-se como o raciocínio estratégico é a pedra basilar de uma
efectiva liderança estratégica e, no nosso ponto de vista, constitui a
competência organizativa mais crítica ao sucesso de uma organização nos nossos
dias, o investimento mais urgente para muitas das empresas portuguesas.
Na
essência, estamos a recuperar conhecimentos ancestrais sobre a natureza humana.
Sempre soubemos que, num indivíduo, a qualidade das suas decisões e acções,
depende da qualidade do pensamento que lhes subjaz.
Nas
organizações passa-se exactamente o mesmo.
A
robustez e a consistência de uma organização dependem da qualidade do
pensamento organizativo que a antecede.
No
entanto, este pensamento organizativo é complexo porque se desenvolve em várias
cabeças que importa consensualizar e alinhar, pelo que a forma e a disciplina
processual é crítica.

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