quinta-feira, 9 de agosto de 2012

PECADO Nº 4 - OS GESTORES OPERACIONAIS NÃO SÃO TREINADOS PARA REFLECTIREM ESTRATEGICAMENTE


Continuamos esta nossa caminhada de revisitar os dez pecados mortais que uma organização pode cometer, comprometendo a Estratégia Global e eventualmente levando à sua extinção, propostos, em 2004, por Michel Robert.

Pecado nº4 – Os gestores operacionais não são treinados para reflectirem estrategicamente

Como já referimos em textos anteriores, geralmente a maior parte das pessoas que compõem os quadros directivos das organizações não sabe pensar estrategicamente, pois na verdade despendem grande parte do seu tempo a lidar com questões operacionais. 
Mais, como acabaram por chegar à posição que ocupam na organização graças à proficiência do seu pensamento/acção operacional, resistem com muita frequência a pensar estrategicamente e, tirando raras excepções, sentem-se desconfortáveis quando são chamados a fazê-lo.

Assim, constata-se que genericamente apenas o CEO ou o Director-Geral têm uma leitura global e integrada da organização e dispõem de uma visão estratégica do negócio e da sua envolvente. 

A grande maioria dos gestores está tão embrenhada na actividade operacional, que não chega a desenvolver a capacidade de pensar estrategicamente. 
Não obstante, o nível de qualificações desses quadros ser cada vez maior e muitas vezes disporem de formação sobre alguns conceitos e ferramentas estratégicas, por não terem tido oportunidade de desenvolver competências de reflexão estratégica, acabam por evidenciar dificuldades em responder aos desafios estratégicos, especialmente se estes surgirem subitamente apenas na reunião anual da empresa. 
Como escreveu Milton Lauenstein, um guru do planeamento, no Journal of Business Strategy, “O problema é que muitos executivos têm apenas uma ideia muito vaga do que é a formulação estratégica.”
Por consequência, estes quadros organizativos sentem dificuldades quando são chamados a resolver (ou a participar na resolução) de algumas questões ou preocupações estratégicas.

Desta forma, é no mínimo irrealista que um CEO expecte que os seus colaboradores chave, habituados a um pensamento essencialmente operacional, se transformem subitamente em estrategas. Torna-se então essencial um processo que, propondo uma linguagem assentes em conceitos simples e claros, permita que, a par e passo, a equipa de gestão – enquanto equipa - vá sendo levada a participar na reflecção estratégica.

No entanto, quando dotados da estrutura de reflexão, da permissão e da oportunidade decorrentes do processo, muitos gestores surpreendem os seus CEO’s, manifestando desconhecidas capacidades para pensar estratégica e criativamente.

Mas mais do que isso, o processo tornar-se-á gradualmente a linguagem da equipa e enformará o seu trabalho, introduzindo uma maior eficácia e eficiência às reuniões de Direcção e Administração. Desta forma, possibilita-se o desenvolvimento de aptidões organizativas fundamentais ao seu sucesso.

O Chefe Executivo paciente tem então a oportunidade de ver a organização crescer e amadurecer, a ganhar consistência e coerência, visível na coerência das múltiplas decisões que são tomadas ao longo da organização, independentemente do decisor.

Lição nº4 – Vale muito a pena promover a participação dos seus colaboradores-chave num processo de clarificação da estratégia, nem que seja apenas para fins formativos.

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