No nosso último “post” colocamos um vídeo sob o
titulo: “AFINAL O QUE É QUE NOS MOTIVA?”.
O autor, baseando-se em alguns estudos científicos,
defende que, quando uma função não se baseia em tarefas simples e lineares, os
prémios em dinheiro não são um elemento de motivação eficaz – desde que estejam
garantidas condições de remuneração que supram as necessidades básicas do
individuo.
Senão são eficazes, então o que é que será?
A resposta proposta no vídeo, de uma forma muito
sintética, é que existem três factores que possibilitam uma superior
performance e uma maior satisfação pessoal:
- Autonomia - para obter um maior compromisso é crítico
corresponder de alguma forma ao desejo de cada pessoa dirigir-se a si mesma;
- Mestria - criar condições para tornar o
trabalho continuamente desafiante e possibilitando uma experiência de
verdadeira contribuição;
- Um propósito
(transcendente) – Um “Para quê?” que nos faça levantar todas as manhãs com entusiasmo e que nos faça transcender.
Na sua opinião, responderão hoje as organizações de
forma adequada a estes três factores?
Quantas organizações conhece, em que se percebe no
entusiamo com que se trabalha, a existência de um propósito realmente
motivador? Quantas?
Em quantas organizações vê contextos que alimentam
e energizam de forma efectiva a superação profissional (individual e
colectiva)?
Que organizações possibilitam e dinamizam contextos
de contribuição, quer para o interior da organização, quer para o seu exterior?
Quantas organizações vê a estimular uma autonomia
responsável, em que o resultado produzido é objecto de atenção e efectivo
reconhecimento?
Não lhe parece que as novas gerações, que estão a
chegar ao mercado de trabalho, vão ser ainda mais exigentes ao nível destes
três factores motivacionais?
Há medida que a crise se adensa e os seus efeitos
económicos e sociais se intensificam, mais as pessoas precisam de propósito. Um
propósito que as faça levantar o rosto e encarar com perseverança as
dificuldades. Um propósito que lhes traga significado às manhãs e conforto no
final de um dia…
Recupero uma ideia do “post” de 4-Abril: “Quando o rei se dirigia aos seus soldados,
antes de uma batalha, falava-lhes de quê? Da estratégia? Da táctica que iam
seguir? Não.
Falava-lhes simples e claramente da razão porque
valia a pena lutar e correr o risco de perder a vida. Esta é ainda hoje e
sempre a questão fundamental: em que é que estamos a implicar a nossa vida?
Porque razões estou a viver, ou dito doutra forma, a morrer todos os dias?”
E é na transcendência e na consistência da
prossecução deste propósito, que deve ser fundando em valores éticos
implementados de forma coerente, que se cria um “caldo” cultural favorável a
estimular a mestria e a superação pessoal e colectiva.
Torna-se, naturalmente, importante perceber como a
organização pode e deve contribuir para ajudar a suportar e construir essa
mestria.
Mas, como vimos, estes profissionais, que buscam a
mestria, sentem igualmente necessidade de contribuir, mesmo que graciosamente,
como se refere no vídeo. Aliás, acreditamos que algumas vezes esta necessidade
de contribuição, que os leva a procurar projectos como o Linux, o Wikipédia,
etc, se deve também (mas não só!) a que muitas vezes as organizações não têm formas eficazes
de promover, trabalhar, validar e reconhecer de forma eficaz esses contributos.
Um bom profissional anseia ser ouvido, valorizado e
reconhecido: na formulação, na implementação e na execução da estratégia da sua
organização; na sua leitura do contexto e na sua criatividade para a inovação
da organização; na melhoria contínua dos processos de trabalho que utiliza
diariamente; nas decisões criticas que envolvem a sua área de trabalho, etc.
Quantas vezes se negligencia ou se prejudica de
forma clara essa contribuição?
E quanto vale esta contribuição? Quanto vale o
desenvolvimento que permitimos a um profissional quando o tornamos voz participativa
do processo de formulação de decisão?
Qual é o ganho para a organização?
Numa organização onde se respira um propósito
mobilizador, suportada por uma estratégia coerente e congruente, que cultiva a
mestria e utiliza processos de raciocínio para estimular a contínua
contribuição dos seus profissionais, a autonomia parece-nos um corolário
dependente apenas da necessária maturidade pessoal e profissional.
Não será?

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