quinta-feira, 24 de maio de 2012

AFINAL O QUE É QUE NOS MOTIVA? - II




No nosso último “post” colocamos um vídeo sob o titulo: “AFINAL O QUE É QUE NOS MOTIVA?”.
O autor, baseando-se em alguns estudos científicos, defende que, quando uma função não se baseia em tarefas simples e lineares, os prémios em dinheiro não são um elemento de motivação eficaz – desde que estejam garantidas condições de remuneração que supram as necessidades básicas do individuo.

Senão são eficazes, então o que é que será?

A resposta proposta no vídeo, de uma forma muito sintética, é que existem três factores que possibilitam uma superior performance e uma maior satisfação pessoal:

- Autonomia -   para obter um maior compromisso é crítico corresponder de alguma forma ao desejo de cada pessoa dirigir-se a si mesma;
- Mestria -      criar condições para tornar o trabalho continuamente desafiante e possibilitando uma experiência de verdadeira contribuição;
- Um propósito (transcendente) – Um “Para quê?” que nos faça levantar todas as manhãs com entusiasmo e que nos faça transcender.

Na sua opinião, responderão hoje as organizações de forma adequada a estes três factores?
Quantas organizações conhece, em que se percebe no entusiamo com que se trabalha, a existência de um propósito realmente motivador? Quantas?
Em quantas organizações vê contextos que alimentam e energizam de forma efectiva a superação profissional (individual e colectiva)?
Que organizações possibilitam e dinamizam contextos de contribuição, quer para o interior da organização, quer para o seu exterior?
Quantas organizações vê a estimular uma autonomia responsável, em que o resultado produzido é objecto de atenção e efectivo reconhecimento?
Não lhe parece que as novas gerações, que estão a chegar ao mercado de trabalho, vão ser ainda mais exigentes ao nível destes três factores motivacionais?

Há medida que a crise se adensa e os seus efeitos económicos e sociais se intensificam, mais as pessoas precisam de propósito. Um propósito que as faça levantar o rosto e encarar com perseverança as dificuldades. Um propósito que lhes traga significado às manhãs e conforto no final de um dia…
Recupero uma ideia do “post” de 4-Abril:  “Quando o rei se dirigia aos seus soldados, antes de uma batalha, falava-lhes de quê? Da estratégia? Da táctica que iam seguir? Não.
Falava-lhes simples e claramente da razão porque valia a pena lutar e correr o risco de perder a vida. Esta é ainda hoje e sempre a questão fundamental: em que é que estamos a implicar a nossa vida? Porque razões estou a viver, ou dito doutra forma, a morrer todos os dias?”

E é na transcendência e na consistência da prossecução deste propósito, que deve ser fundando em valores éticos implementados de forma coerente, que se cria um “caldo” cultural favorável a estimular a mestria e a superação pessoal e colectiva.
Torna-se, naturalmente, importante perceber como a organização pode e deve contribuir para ajudar a suportar e construir essa mestria.
Mas, como vimos, estes profissionais, que buscam a mestria, sentem igualmente necessidade de contribuir, mesmo que graciosamente, como se refere no vídeo. Aliás, acreditamos que algumas vezes esta necessidade de contribuição, que os leva a procurar projectos como o Linux, o Wikipédia, etc, se deve também (mas não só!) a que muitas vezes as organizações não têm formas eficazes de promover, trabalhar, validar e reconhecer de forma eficaz esses contributos.
Um bom profissional anseia ser ouvido, valorizado e reconhecido: na formulação, na implementação e na execução da estratégia da sua organização; na sua leitura do contexto e na sua criatividade para a inovação da organização; na melhoria contínua dos processos de trabalho que utiliza diariamente; nas decisões criticas que envolvem a sua área de trabalho, etc.
Quantas vezes se negligencia ou se prejudica de forma clara essa contribuição?
E quanto vale esta contribuição? Quanto vale o desenvolvimento que permitimos a um profissional quando o tornamos voz participativa do processo de formulação de decisão?
Qual é o ganho para a organização?

Numa organização onde se respira um propósito mobilizador, suportada por uma estratégia coerente e congruente, que cultiva a mestria e utiliza processos de raciocínio para estimular a contínua contribuição dos seus profissionais, a autonomia parece-nos um corolário dependente apenas da necessária maturidade pessoal e profissional.  
Não será?

Sem comentários: