“Ninguém sente a falta daquilo que nunca teve.”
Já há algum tempo que, num documento comercial,
esta afirmação foi reflexo de uma experiência muito pessoal.
Não sendo uma ideia nova, há momentos em que certas
ideias nos tocam, interpelam – quase saltam à nossa frente.
Nos últimos dez anos da minha vida profissional, a
confrontação com esta realidade tem sido diária e absolutamente brutal, desde
que tomei contacto com o trabalho do Sr. Mike Robert, na área do “critical
thinking”.
O Sr. Mike Robert acreditava que era possível
modelar o processo raciocínio de decisões críticas para indivíduos e equipas de
forma a produzir resultados muito superiores e melhorar as dinâmicas dessa
mesma equipa – acabou por fazê-lo para grandes empresas com resultados
impressivos na Catterpillar, na 3M e em várias multinacionais de renome.
Ele vinha na senda de dois conceituados
investigadores, professores universitários, que em 1950, conduziram uma
investigação sobre falhas e erros na formulação de decisão no Comando da Força
Aérea Norte-americana. Eles descobriram que a formulação de decisão bem-sucedida
dos oficiais da Força Aérea tinha menos a ver com o nível da sua patente do que
com o processo lógico que o oficial utilizava para recolher, organizar e
analisar a informação antes de tomar medidas. Com base nessa experiência,
continuaram a analisar e a modelar continuamente processos de raciocínio para
diversos fins, com particular ênfase para aplicações críticas em contexto
empresarial, rasgando uma nova área de conhecimento a que se tem chamado o “critical
thinking”.
Num contexto de tão grande volatilidade,
complexidade e exigência, em que as decisões têm repercussões muitos maiores, a
formulação da decisão, para os mais diversos fins, está sujeita a intensas
pressões. Desenvolver a capacidade organizativa de formular uma decisão, integrando
os elementos críticos da organização, quer seja para formular uma estratégia,
inovar produtos, melhorar processos, ou outras dimensões organizativas, é hoje
absolutamente crítico e deveria ser, no meu ponto de vista, uma das
preocupações centrais das chefias executivas…
Ao fazê-lo, o responsável organizativo vai diminuir
consideravelmente a resistência à implementação; aumentar o “empowerment” dos
colaboradores, por serem parte activa na formulação, implementação e execução
da decisão; levá-los a discutir e a assimilar pressupostos fundamentais da
teoria de negócio (a maior parte das vezes não formalizada) que a chefia
executiva segue; desenvolver a capacidade de decisão daqueles; consolidar um efectivo
espirito de “team building”, por uma maior compreensão do todo e do contributo
de cada um; etc.
No entanto, como “poderão sentir a falta daquilo
que não têm”? Como?
Porque não basta conhecer, estes processos só
entusiasmam quem os “têm”, quem os usa e percebe/mede os seus resultados
diariamente.
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